segunda-feira, 1 de junho de 2015

Porque um dia todos fomos crianças...

A propósito do Dia Mundial da Criança, lembrei-me de fazer um post diferente, cheio de memórias e boas recordações.

Um dia todos fomos crianças com as respectivas birras e risadas, brincadeiras e amigos, com tudo que uma criança deve ter e ser. Muitas foram obrigadas a trabalhar por necessidades, outras a seguir um desporto não escolhido por elas próprias, que por vezes apenas eram do agrado dos pais.
No meu caso, tive felizmente o prazer de me ser apresentado logo desde criança este belo e fascinante mundo que é a pesca.

Para este post fazer sentido, foi necessário ir ao baú das fotos, digitalizar (que na altura as máquinas não eram digitais) e por momentos, simplesmente ficar a olhar para elas. Pensar como o tempo passa mas "aquela" sensação sempre que um peixe está ferrado do outro lado da linha não desaparece, passe o tempo que passar....
A alegria é sempre a mesma, a ansiedade antes de um dia de pesca é a mesma, a satisfação depois de um bom dia de pesca... Tudo na mesma!

Começando com uma simples cana da índia feita e oferecida pelo meu padrinho (que ainda a tenho guardada), rapidamente lhe tomei o gosto e depois disso, não havia nada mais a fazer... Tinha que continuar, continuar a pescar!
As primeiras pescarias
Tive sorte também por ter sido acompanhado, incentivado e ajudado de todas as formas e feitios pelo pessoal da Casa Filipe.
Foi nessa loja de pesca que passei horas, dias, semanas da minha vida a ver, sentir, respirar, viver pesca.
Graças a eles, meti-me em competições de pesca em água doce. Aprendi muito...
A primeira prova de pesca - Rio Douro - Pala
Treinos às percas :)
A paixão pela pesca ia crescendo e com ela também crescia a vontade de querer aprender mais, de ir mais longe.
Os fins de semana eram frequentemente requisitados por mim para me levarem à pesca, ocasionalmente lá conseguia o que queria e pela proximidade, a pista de pesca em Amarante era o destino.
A pesca com cana directa já era passado, começava a querer compreender e praticar a pesca à bolonhesa e inglesa.
Foram muitas as lutas em Amarante...
...Algumas eu venci :)
Nas férias a pesca também tinha que ter lugar, fosse no mar ou no rio. Na companhia do meu pai, padrinho e primo, tive bastantes pescarias partilhadas...
Foram muitas as horas passadas no rio Tua de cana na mão, a tentar enganar os valentes barbos da corrente...
Vilarinho das Azenhas...
...rio Tua e a sua velha ponte...
E um belo e colorido pimpão :)
Já nessa altura tinha curiosidade pela pesca com amostras, mas ainda era um bicho confuso, com tantas formas e feitios, mas nem isso me fazia desistir.
Estava a pescar, estava no meu meio e isso deixava-me de sorriso na cara :)
Achigãs foram as primeiras "vitimas"... :)
O tempo ia passando e as coisas estavam cada vez mais a ficar sérias no que toca à competição.
Comecei a frequentar alguns concursos para ganhar experiência, para ir percebendo como funciona tudo, qual a organização das coisas que devo ter e o que não devo fazer...
Foram vários os locais visitados, alguns com resultados memoráveis!
A primeira visita à Barragem do Ermal...
...E a segunda visita à Barragem do Ermal!
Dos concursos ao campeonato regional foi um pulo. Já tinha algum conhecimento e treino, era hora de arriscar. Correu bem, pois logo na minha participação consegui sagrar-me Campeão Regional Norte (2002) na categoria de Juniores :)
Foi de todos os campeonatos que participei, aquele que melhor me correu com provas divididas entre a pista de pesca do Prado e a pista de pesca de Cavez acabei por fazer 3 primeiros lugares em 4 provas... Épico!
Uma das muitas visitas a Cavez
Em acção em pleno Prado :)
Daí para a frente, tive algumas participações em campeonatos ora Regionais, ora Nacionais (conforme a classificação) e fui visitando diversos paraísos da pesca como Chaves, Penacova, Cabeção, Mora, Coruche...
Luta feia contra barbo
Em quantidade é melhor :)
Chaves novamente, prova dura...
Penacova Regional Norte, das provas mais duras que tive
Ainda em Penacova
Mora - Cabeção - Prova Nacional
Ainda relembrando que se tratava de uma criança, é sempre necessário lembrar que se consegui o que consegui, foi porque tive apoio (grande e forte) de algumas pessoas.
Sem essas pessoas, não teria sido a mesma criança, não teria o apoio que é necessário ter, a paciência para aguentar tudo e a disponibilidade que tem que se inventar para as provas distantes.
Foram viagens a horários loucos de madrugada em plenos domingos (e por vezes sábados), kms atrás de kms de estradas nacionais com o material na bagageira.

Falo obviamente dos meus pais, aqueles que me aturaram durante anos e me apoiaram imenso.

Neste dia da criança, lembrem-se que mais do que um brinquedo ou um presente, uma criança deve ter apoio, carinho e amor.
Um brinquedo eventualmente será posto de parte ou partirá. Os alicerces dos pais, são eternos...

A criança que viram entretanto deixou de o ser, cresceu como pessoa e pescador, aprendeu outras técnicas, outras mentalidades, adoptou outros princípios e ganhou outras ambições.
A paixão, essa grande culpada por isto tudo.... É a mesma desde o primeiro dia.

E acima de tudo lembrem-se: preservem a natureza, respeitem os tamanhos mínimos e sempre que possível libertem as vossas capturas.
Um dia serão outras crianças a pescar :)
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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Eis o primeiro (e meio)!

Este ano a pesca no mar tem sido um pouco ingrata, tendo somado um total de 15 grades seguidas, em vários locais, em várias alturas, de várias formas....

Mas se há coisas que um pescador tem de ter (ou deveria) são paciência e persistência.
Há muita teoria e vídeos na internet, mas pouco ou nada adianta sem estas duas importantes chaves!

A acumulação de pescarias sem capturas faz-nos pensar, em tudo e de todos os ângulos possíveis e imaginários para tentar justificar o insucesso. São esses momentos em que nos perguntamos o que está mal, o que poderia ter feito, como deveria ter feito e principalmente o que irei fazer da próxima que ajudam a crescer, como pessoa e como pescador.

No meio da cruzada repleta de grades, comecei a ponderar mudar de spot. Algo não está a funcionar como é esperado nos habituais e então como um nómada, comecei a procurar novo pouso.
O destino seria seguir para norte!!! ;)

Com mais uma boa (mas pequena) abertura no windguru a coincidir com uma boa hora matinal, tinha que aproveitar para investir mais uma vez, oportunidades não podem ser desperdiçadas!

O plano: deitar cedo, dormir, acordar de madrugada, fazer-me a estrada, pescar e regressar antes de ir para o trabalho.

Eis o que realmente aconteceu: deitei-me cedo, mas os ca#%!"@ dos mosquitos não me deixaram dormir descansado.
O que seriam 4h de sono, acho que nem chegou 1h bem somada...Claro que pelo caminho foi necessário tomar o belo do café, para manter-me acordado.

Espreitei 2 ou 3 cantos, mas só um agradou com um bom espumeiro a uns 70m a espalhar uma boa cor por uns 20m... Está escolhido!
Começo a equipar-me e uma decisão minha de deixar a lanterna em casa revelou-se...Uma decisão estúpida.
O dia começa a nascer mais tarde do que eu tinha previsto e como resultado, tive que andar a apalpar pedra com uma lanterna de mão que por acaso tinha no carro... Lá me safei!

Chegado ao spot, faço alguns lançamentos com Black Minnow para tentar perceber como é o fundo e ao fim de uns 20 mins sinto uma pancada. A cana dobra e.....ZZZZZZZZZZZZZ!!!! Eehhhhhh lá!!!

Fiquei a pensar "a sério? é mesmo real? hoje não vou gradar?" mas rapidamente me foquei em trabalhar o peixe, em vez de sonhar acordado ;)
Eu controlada a cana, ele puxava fio! Um peixe bom, energético e com força media forças comigo!
Já mais calmo, começo a recuperar fio, sem puxar muito pelo peixe, mas a controlar a situação.

Faltava a pior e mais ingrata parte: a cobrança do peixe!
Estava numa zona com rochas e apenas tinha uma fenda que permitisse guiar o peixe para lá, mas a escoa das ondas não era meiga... Mas era a única solução. Então pela fenda ele terá que vir....!

Encosto-o perto da rocha, espero pelas ondas mais fortes e com 2 ou 3 ondas seguidas, consigo o colocar num patamar onde eu conseguia chegar a ele e puxar para cima.

JÁ ESTÁÁÁÁÁ!!!!!! BOM DIA 2015!!!!!! :D
O primeiro de 2015 - finalmente!
Não cabia em mim de alegria, a velha sensação de fazer uma boa captura com sucesso é sempre fantástica....!
Uma bela captura - 2,170kg 64cm
Bom diaaaaaaaaaa :)
Com o primeiro robalo capturado e por sinal um bom exemplar, de repente tudo passou a fazer sentido.
Para mim, a pesca já estava feita. A sensação de missão cumprida, de que desta vez fiz as coisas bem, já ali estava.

Mas ainda tinha tempo antes de ir para casa e a maré só agora começava a virar, por isso há que aproveitar todos os minutos!
O dia ia avançando, o sol ia surgindo e com ele, os primeiros raios de luz tocavam na água. E vi peixe nas ondas!

Não pareciam ser muito grandes, mas como era lá longe e apenas vi alguns, quem sabe se não teria alguma surpresa...
Tento chegar lá com amostra, não consigo. Mudo para vinil, já estava mais perto mas ainda não era suficiente. Vai de zagaia com pingalim!

E não demorou muito para ter as minhas dúvidas esclarecidas, um pequeno robalote acabou por vir ter comigo para uma foto e depois voltou para junto dos amigos :)
O minorca e o Pingalim
Lembrem-se sempre: libertem os pequenotes...! Eles crescem, acreditem que é verdade!!
Depois do pequeno robalo, olhei para o relógio e já estava a apertar a hora. Tinha o meu primeiro robalo e meio do ano, missão cumprida!
Como ainda tinha alguns kms de estrada por fazer e ainda tinha que ir trabalhar, lá tive que mais uma vez virar costas ao mar.

Desta vez, com um sorriso na cara :)
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quarta-feira, 25 de março de 2015

Abertura às trutas em Penacova

A chegada do mês de Março é para muitos pescadores a época mais que ansiada e desejada, por coincidir precisamente com a abertura da pesca às trutas nas águas portuguesas.

Como tem vindo a ser cada vez mais uma tradição, mais uma vez este ano realizou-se a Abertura às trutas do PCA na zona de Penacova no passado domingo.

Acordar cedo é obrigatório e custa bastante, mas com companheiros de viagem como o João e o Grigas, não há percurso que seja demasiado longo ou duro!

Chegados ao ponto de encontro, aos poucos e poucos iam chegando os vários participantes de vários pontos do país, movidos pela vontade de pescar neste belo local.
Toda a gente reunida, era hora de equipar e por as canas ao alto!
Afinam-se drags, colocam-se colheres....
....discutem-se tácticas e estratégias....
....E verifica-se que os vadeadores estão com furo!
Para muitos, é uma estreia nestas andanças de pescar com colheres às trutas. Para outros é mais uma tentativa de capturar aquela bela e fantástica pintona capaz de pôr os corações mais fracos em risco :)

A foto de grupo é que não pode faltar!!
Participantes da Abertura
Tudo pronto e dados os avisos para possíveis subidas rápidas de nível das águas, chega a hora de mandar umas medalhas para dentro da água.
Aos poucos iam formando-se grupos aleatórios e ora indo pelas margens, ora percorrendo açudes, estava tudo a tentar a sua sorte.
João's - Baltazar e Rey
Nuno Ribeiro e Miguel Pereira
Raúl Mendes e João Baltazar
Não demorou muito para haver um sinal de que havia uma captura e como eu e o Grigas estávamos por perto, fomos até lá para registar em foto a captura.
Pequena pintarolas
Marcos Dias e a sua captura
Uma bela e pequena truta, cheia de vida e cores dava ânimo e moral!

Percorrendo a margem, fomos procurando e lançando, entre fundões, pedras e ramos dentro de água. Mas as trutas não davam sinal....

Bem, tira-se umas fotos então!
Um bivalve cheio de vida....
...o rio também mexe-se bem...
...paisagens belas...
...e um pouco de cor não faz mal!
Eu até disse a brincar ao Grigas "Olha, tas a ver ali? Ali há trutas!!! Acredita em mim, vais ver!!" :P
"Trutas?! Segue, segue, segue segue....."
E lá fomos nós verificar isso, não podíamos deixar aquela dica passar em branco :P
Grigas a seguir, seguir, seguir!
Mas afinal não havia trutas nenhumas.... Ou será que havia?

Chegamos a um ponto onde dois rios se cruzavam, fazendo um fundão com alguma corrente no centro e zonas mais paradas nas laterais.
Batemos a zona, lançando para onde nos parecia haver uma hipótese.
O tempo estava a mudar, um vento frio e gelado com algumas pingas de chuva estavam a tentar demover-nos dali.
Mas não arredamos pés e continuamos a lançar, o objectivo estava definido!

Num desses lançamentos, deixo a colher afundar um pouco depois de lançar e começo a recolher lentamente.....

Algo atacou!!! Senti a cana a bater e dei um grito a avisar que tinha peixe!
A adrenalina estava alta, a emoção queria dominar a cena, mas era preciso antes dominar o peixe. Combativo por natureza, mandou alguns saltos e cambalhotas, passou perto de uma pedra que me fez temer o pior, mas esta já estava destinada....

A minha primeira truta com colher, finalmente e após tanto tempo, estava capturada....!
Uma truta linda...
...com belas cores...
...que conseguiu dobrar-me uma Mepps #3...
...mas valeu a pena!!!
Não dava para conter a felicidade e limitei-me a contemplar o belo exemplar de 45cm que ali estava à minha frente, tentando ser o mais rápido possível a registar o momento para depois a libertar ao seu habitat em perfeitas condições!
Mediu 45cm certos...
...mas a felicidade da captura...
....não dá para medir....
...apenas dá para disfrutar!!
Logo chegou a hora de a devolver à água e com muita calma e elegância, ela partiu e deixou os dois com um sorriso na cara, seguido de um grito de felicidade e um grande abraço! - Missão cumprida!!

A captura foi um grande catalisador para nós e deu-nos ânimo e fôlego para continuar a enfrentar as águas geladas que nos gelavam o corpo até à cintura, pior ainda no caso do Grigas.
Revelou-se bravo e corajoso por pescar lado-a-lado comigo, estando eu de vadeadores (com infiltrações de água) e ele de calções....
O vício da pesca não tem limites!
Estando eu já "safo", em jeito de brincadeira disse-lhe "olha, tira lá umas fotos, assim pró estilo!" e não é que ele tirou? Quer dizer, tirou as fotos, porque o resto não há solução :)
"Ah e tal, euzinho a pescar...."
..."Agora com cara séria!!!"...
"...E agora a lançar!!"
Entretanto, recebo uma chamada do João a contar as novidades e havia mais uma captura, aliás, uma valente captura!
Tinha sido capturada uma bela pintona de 54cm, também por um estreante - Ricardo Mayer!
Bela truta do Ricardo Mayer
Por ainda estarmos um bocado longe do ponto de partida e o tempo estar a piorar, para além de ambos já não sentirmos os pés, demos por terminada a pesca já bem perto da hora de almoço, onde rumamos aos carros falando do que tinha acontecido, reinando a boa disposição!

Hora de almoço, é hora de contar as novidades todas, mostrar fotografias tiradas, contar aventuras piscatórias e discutir pesca.
Agora sim, é hora de convívio!
O Gradeiro e o Truteiro a saborear a Jeropiga
Boa disposição acima de tudo....
...Essencial a um bom almoço!
Um bom almoço com lampreia para uns e grelhada para outros (este ano saltei a lampreia), seguiu-se da entrega do cabaz de natal ao leiteiro daqui da zona. Que outro senão o próprio João Baltazar? :)
Leiteiro a receber prendas de Natal
Para terminar, foi a entrega do prémio de maior exemplar que sem dúvida alguma ficará na memória de muitos, mas mais ainda na memória do pescador!
Truteiro a receber o prémio de maior exemplar
Feitas as despedidas, é hora de regressar a casa pelo mesmo caminho que nos levou até Penacova, caminho esse que voltarei outro ano a percorrer.

E mais uma vez.... Até qualquer dia Penacova ;)

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