terça-feira, 2 de julho de 2019

Açores 2019 - Parte 1

Olá a todos!
Antes de mais, peço desculpa pelo extenso relato (que será feito em 2 partes) mas a verdade é que por mais que tente resumir e simplificar, há sempre muito para contar :)

Mais uma vez, rumei para os mares e paisagens do paraíso plantado no meio do Atlântico - Açores, Ilha Terceira!
Até já oh mar robaleiro!
Como não podia deixar de ser, levei o material de pesca para tentar enganar uns pelágicos. Numas férias de quase 3 semanas, haveria muitas oportunidades para tentar enganar uns peixes com dentinhos...
Estava muito transito neste dia!

Mú?!
A primeira captura foi um atum! Quer dizer, um atunzinho...Mas um atum dos pobres...Vá, pronto foi uma cavala! :)
Numa pesca meio a correr, foi o único peixe desse dia. Deu para entreter durante um bocado :)
Uma cavala, já não é grade!

Gradeiro e um pseudo-atum :)
No dia seguinte, fui a um dos spots onde estive nas outras visitas à ilha, acabei por apenas enganar uma garoupa jeitosa, pescada com um jig bem bonito :)
Garoupa capturada com jig

Primeira captura "a sério"
Entre as pescas, ia aproveitando para visitar alguns cantinhos da ilha e tirar umas fotos bem bonitas :)
Não gosto de ir a um sítio, visitar os pontos quentes de turismo e dizer "já está, next!". Há sempre muito por descobrir, muito para ver e viver!

Desta vez, visitámos um ponto turístico conhecido de Angra do Heroísmo - Jardim do Duque da Terceira, e explorámos os recantos bem verdes da Lagoa das Patas. A Natureza está sempre presente em cada canto da ilha, mas é fantástico como há sempre mais por descobrir...!
Jardim Duque da Terceira - I

Jardim Duque da Terceira - II

Pesqueiro com uvas? Nem com milagres isso vai dar certo...

Natureza....

Dois mundos num só
Na busca por um peixe maior e lutador, fui acabando por enganar apenas garoupas e lagartos. É a minha sina nesta ilha, primeiro terei que apanhar o peixe "menor" para, eventualmente e quem sabe, vir a apanhar outros peixes :)

Já o Rúben (primo da minha namorada) teve melhor sorte numa das nossas idas e conseguiu enganar uma boa bicuda que atacou mesmo aos pés e provocou um valente reboliço na tona da água!
Uma valente bicuda!
Entre lagartos e garoupas, garoupa e lagartos, lá fui me entretendo mas sempre com peixe maior em mente...
O primeiro lagarto da jornada!

Já cá faltava...!

Garoupa (Serranus atricauda) jeitosa, desta vez com amostra!

Gradeiro e a garoupa

Mais um lagarto...

Estou tão contente....!

Wazaaaaaaaaa! - diz o Lagarto ao Gradeiro

Já chateias oh lagartixa! - diz o Gradeiro ao Lagarto

E nos momentos aborrecidos tiram-se fotos :)
Então e quase de um dia para o outro, surgiu um convite para fazer uma pesca embarcada, slow jigging. Não ia nada preparado... :)

Não tinha material adequado, nem cana, nem carreto, nem jigs, nada de nada! Felizmente, a pesca tem boas pessoas e a mesma pessoa que me convidou, desenrascou-me o material necessário.

Mas para além do material, há toda uma técnica a aprender. Uma coisa é o que se vê nos videos, em casa e depois dizer "ah, já sei como é, é fácil". Outra é estar em acção de pesca e ter que aplicar tudo correctamente! E acreditem, para quem sempre fez pesca de costa... Não foi fácil a adaptação :)
Slow Jigging Sunrise
Ainda assim, pouco a pouco, observando e perguntando como se faz, fui tentando me safar como podia.
E acabei por fazer a minha primeira captura de slow jigging!

Um enorme, um majestoso, o mais lutador de todos os peixes e desejado por pescadores de todos os 10 continente e oceanos...Carapau.
Captura com Slow Jigging - Check!
É verdade, a minha primeira captura de slow jigging foi um carapau acidentalmente ferrado pela cabeça! Foi uma risota pelo barco que nem vos conto :)
Bem, uma coisa é certa... Não irei esquecer a minha primeira captura! :)

Enquanto os restantes pescadores no barco iam tirando peixe atrás de peixe, eu comecei a dar a parte fraca e a vacilar. E acabei por ficar meio enjoado, como era de esperar. Mas acham que parei de pescar? Nada disso!!
Vomita-se um bocadinho, respira-se ar puro e siga para a frente!

E assim, finalmente veio a captura decente!
Nem sei quem tem ar mais parvo, eu ou a Garoupa :)
Depois da primeira, foi tentar replicar o processo e ir melhorando. Os enjoos iam aparecendo mas com o passar do tempo, habitua-se. Volta e meia, lá tinha eu que parar por 2mins, sentar-me e respirar bem fundo. E logo de seguida voltar a pescar!

E claro, tirar umas valentes garoupas no meio disso tudo :)
Garoupa aos 80m, Slow Jigging

Mais uma garoupa açoreana bem grande!
Ainda tive oportunidade de ver um bom pargo sair, um peixe lutador até à última! Ainda para mais com o fantástico tamanho que tinha, diria que à volta de 3kg ou mais!

Já mesmo no final e antes de ir embora, acabei por perder um jig sem saber como, simplesmente alguma coisa cortou o fio que julgava ser um 0,70... Logo ao lado tiraram um peixe espada branco e disseram-me "aí está a resposta ao que te aconteceu, foi um destes que te cortou a linha".

Nunca pensei que isso fosse assim "tão fácil" de acontecer!

No regresso aproveitei para tirar algumas fotos da ilha a partir do mar... E é realmente fantástica a paisagem!
Monte Brasil do lado de S. Mateus

Monte Brasil - Visto de frente

Monte Brasil - Visto do Mar

Monte Brasil - Camadas e camadas de lava

Monte Brasil - Vista do lado Este, com guarita ao fundo

Angra do Heroísmo vista do mar
Em relação à pescaria, foi muito boa a meu ver e apesar de quase não ter contribuído com peixe, acho que contribui com um pouco de "engodo" e alguma moral :)
Acabei por levar 4 peixes para casa, para saborear junto da família!
Resultado da pescaria - Muitas garoupas, 2 pargos e 1 carapau :)

As garoupas que trouxe para degustar!
E assim termino a primeira parte da mais recente visita aos Açores.

Para quem não gosta muito de ler, mas mesmo assim chegou até aqui, podem ficar descansados pois estou a tratar do video e colocarei no próximo post!

Espero que estejam a gostar até agora e preparem-se pois a 2ª parte já tem os tão desejados dentinhos...!
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domingo, 23 de junho de 2019

De volta aos robalos!

Olá a todos!

Terminada a aventura na costa alentejana e antes de ir de férias para os Açores, voltaram as investidas pelos cantinhos cada vez mais habituais. Ainda cheios de mistérios e manhas, por vezes bem interpretados, outras nem por isso...!

Falemos de pesca!

Ultimamente tenho feito algumas pescarias com o Ricardo Martinho, um amigo que conheci através do PCA e parceiro da Team  Fiiish, mas curiosamente poucas pescas tínhamos feito em conjunto, principalmente desde que vim cá para cima.
Mas resolvemos isso facilmente!

Combinamos uma pescaria ao final do dia, quase em cima do joelho e a correr. Eu, por causa do trabalho, iria chegar um pouco mais tarde e já quase sem luz. O Ricardo foi mais cedo um bocado mas não deu com eles.

Esperamos que a maré baixasse um pouco num spot, antes de irmos para outro mais promissor. Enquanto esperávamos, acabei por enganar o primeiro da noite. Um robaleco deixou-se enganar pela minha amostra lowcost.
Disse-lhe que desta vez passava, mas da próxima vez é bom que volte maior e mais gordo!
Robalo com Macua 17
Quando chegou a hora ideal, mudamos para o tal spot que tínhamos em mente. Lançamento atrás de lançamento e peixe nada...
O tempo ia passando, vamos falando disto e daquilo, da "amostra que vai dar agora" e do "vinil milagroso que vai safar a noite", quando o Ricardo leva uma valente pancada, mesmo encostado à pedra onde estávamos - e que bela luta ali se deu!

O peixe a bater e puxar para um lado, o Ricardo a fincar o pé e mandar o peixe para o outro! Sempre em tensão máxima, o peixe acaba por ficar encostado à pedra, eu desço para lhe deitar a mão e... Wooooowww, valente robalo!!
Ricardo e um valente robalo!
"Vamos lá, vamos lá! Tem que haver mais aí!" dizia o Ricardo enquanto eu tratava de registar o momento :)

Bem... Não se enganou e passados 20mins, engana outro! E este por pouco não saltava directamente para fora, tão perto que atacou! Mais pequeno que o anterior, acabou por ficar a descansar numa poça até decidirmos o que fazer com ele.
Perguntei ao Ricardo como tinha sido a animação, o momento do toque e tudo o resto que possa influenciar e acabei por trocar para um vinil mais adequado e semelhante ao dele.
Foram precisos 10mins para ser a minha vez de tirar outro peixe e equilibrar as contas!
Pequeno de tamanho, mas grande de espírito, voltou para a água como manda o bom senso e consciência ;)
Robalote atrevido, atirou-se a um BM 140
A maré já começava a querer mandar-nos embora, mas estávamos com o feeling. Aguentamos, aguentamos mais um pouco, faz-se mais uns lances... E quando já pensávamos se íamos ou não embora, o Ricardo leva mais uma valente pancada na cana que ate fiquei parvo, que brutalidade!
Mais um valente robalo para ele mas com um dissabor.

Quando fui pegar no robalo, não se apercebeu da curvatura que a ponteira estava a fazer. Bastou eu dar um passo para a frente e ele dar 2 seguidos, a ponteira não aguentou o ângulo e tensão...

Pois... Já podem adivinhar, partiu-se a ponteira, mesmo abaixo do primeiro passador.
Robalo, vinil, ponteira... tudo ao molhe!

Mais um bom robalo para o Ricardo!
Bem, quando se está em alta não se pára e ele não parou :) Siga pescar que isto hoje está a corre bem!

Acabamos por não tirar mais nenhum peixe, mas ficou ali uma boa lição. Percebi já quando estávamos a ir embora o porquê de ele ter tirado e sentido mais peixe... ;)

Não irei revelar a conclusão pois é um pouco irrelevante, apenas deixo a ideia no ar para que questionem sempre o porquê das coisas, há sempre uma razão para as coisas acontecerem!
O resultado da noite!

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No entanto, também já tivemos dias (noites?) que acabaram por ser para esquecer.

Em condições semelhantes, no mesmo local, houve de tudo um pouco durante umas 5h de pesca!

Começa a noite com o Ricardo a tirar (mais uma vez) um robalo praticamente encostado às pedras.
Robalo e Black Minnow - Ricardo Martinho
Uma hora depois, mais um para ele e que voltou para o mar.

E daí para a frente foi a desgraça.
Eu não senti um único peixe. Ele, volta e meia, levava cada pancada na cana que até metia medo...Mas não ficavam ferrados!!

Vi esta situação acontecer umas 3 ou 4 vezes durante a noite toda. Esperamos que amanhecesse, para aproveitar as primeiras luzes do dia.

Eu tinha levado passeantes, mas ficaram caídos no carro. O Ricardo empresta-me uma Patchinko 140. A maré já impunha algum respeito e obrigava a pescar muito recuado pois volta e meia a pedra era varrida pelas ondas.
Começo a lançar em várias direcções, até que lanço para a zona onde o Ricardo teve os ataques...

Faço uma recolha certinha e com o passeante a trabalhar a bom toque, faço uma única paragem já encostado à pedra para a onda passar e acontece.

UMA VALENTE CABEÇADA! O passeante desaparece completamente, a cana dobra-se toda, o carreto bem estava trancado mas deixa sair alguma linha!


Puff.....
E foi-se.


Cortou o multi na pedra mesmo em frente onde eu estava e fiquei sem peixe e amostra.

Poucas horas de sono. Sem toques a noite toda. Quando amanhece e finalmente tenho um ataque, isto acontece... Podem bem imaginar, que fiquei pior que podre! Já nem queria saber de nada, estava completamente de rastos, desiludido, frustrado.
Tudo o que possam imaginar.

Foi a primeira vez que tal me aconteceu, perder um peixe e amostra.
Há sempre uma primeira vez para tudo....

O Ricardo, que assistiu a tudo incrédulo, rapidamente me passou outro passeante. Como ainda nem tinha o nó feito, disse para ser ele a usar.

Faz ele uns 3 lances e... Tira um robaleco que media pouco mais que a amostra!
Quem será maior, passeante ou robalote?!
Ainda estava eu a fazer o nó, de costas para o mar mas bem afastado e resguardado, quando uma onda bem mais puxada que o habitual até então, me bate pelas pernas e lá vou eu de cu à água!

Olho para trás, a rir-me (porque realmente só dá mesmo para rir disto tudo) e vejo o Ricardo atrapalhado a vir ter comigo a ver se está tudo bem. Até que eu vejo que vem outra onda igual e só tenho tempo de lhe dizer "VEM AÍ OUTRA! SEGURA-TE!!"

E lá vou eu outra vez de cu para a poça de água, o Ricardo vai também aos tombos... Passa a água toda, só nos riamos porque estava a ser surreal!

Mudamos de spot e lá consegui finalmente fazer o nó de ligação.
Vou eu para uma zona com passeante, o Ricardo fica noutro a pescar com vinil e nem 5mins lá estive. Já estava ele a fazer-me sinal que tinha peixe. O que era?

Um bonito bodião!
Bonito bodião com Black Minnow
Que noite... Acabamos por dar por terminada a jornada e ficamos por ali, porque já nem sabíamos que mais iria acontecer!

Agora resta-me começar a tratar do próximo post, onde poderei mostrar uns peixinhos mais dentuços que estes aqui :)

Um bom S. João para todos!
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sexta-feira, 31 de maio de 2019

10º Torneio Nacional Spinning e Corrico - Luis Vicêncio

Olá a todos!

Este ano para já está a ser especial no que toca a pescarias em encontros/torneios. Começou com o 1º lugar no Abertruta, seguiu-se uma captura no 1º encontro "Robalos do Minho" e finalmente... O anual e cada vez maior encontro do ano, o Torneio PCA -  Luís Vicêncio, que já conta com 10 edições!

Após 9 edições distribuídas pelos vários pontos do país, este ano realizou-se pela primeira vez na costa de Aveiro, uma zona de muita areia e alguns pontões entre praias.
Reuniram-se cerca de 130 pescadores, um número a meu ver exagerado (por causa da confusão que cria e toda a logística envolvida) mas que ao mesmo tempo demonstra que há cada vez mais praticantes!

Tirando a parte competitiva, é sempre o melhor momento para reencontrar caras antigas e rever amigos, aproveitando obviamente para fazer uns lances enquanto se contam e revivem histórias de pesca e não só.
Eu, o Bruno Martins e o Armando Sousa

Quando os Estarolas se juntam....

...Coisa boa não é!!

A moldura humana começa a tomar forma...

E aqui está toda a gente!

Estranha criatura, familiar do cavalo marinho!
Foi precisamente num desses momentos de descontracção que quando nada fazia prever, levo uma boa pancada na cana e começa-me a sair fio do carreto! Faço sinal aos restantes que estavam por perto para me virem ajudar enquanto travo uma boa luta com o peixe!

Sempre a medo e com cuidado, fui ganhando metros de fio e apenas tive que esperar pelas ondas para o ir conduzindo para a areia seca.
Assim que a onda o conduziu até onde eu queria e quando finalmente estava a seco e bem seguro....

Que festa foi!!! Parecíamos tolinhos, aos saltos e a festejar, como se cada um tivesse apanhado o seu!
Que valente robalo, demais!!

Saltiga 17 LD-S a fazer estragos :)
Tudo registado e medido como mandam as regras, o peixe foi à vidinha dele de volta ao mar... E claro, era impossível tirarem-me o sorriso da cara, nem arrancando!


Quando regressávamos ao local do almoço, ia ouvindo aqui e ali dizer que o dia tinha sido fraco e havia poucas capturas.... A esperança de uma boa posição foi crescendo, até que acontece.

Fiquei em 1º Lugar. Consegui!!!
1º Lugar - 10º Torneio PCA - Luís Vicêncio
Já tinha conseguido um 3º lugar, depois consegui um 2º lugar... E agora fiz a tripla conseguindo o 1º lugar :)
Foi um dia muito bom, cansativo (dormi umas 2h apenas) mas positivo!



Agora com licença, que tenho um avião para apanhar e com sorte o próximo post será com uns peixes com dentes afiados... ;)
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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Férias pela Costa Vicentina

Olá a todos!

Este poderá ser um relato mais extenso que o normal, mas a justificação é muito simples: uma semana dedicada à pesca. Sim, isso mesmo! Uma semana inteira para fazer todas as marés que o corpo deixar!
Parece fácil, certo? Mas não é... E quando as condições são mais que adversas, pior ainda...!

Eu e o meu primo já andávamos a falar várias vezes e durante muito tempo na hipótese de um "dia" fazermos uma longa jornada só de pesca. A oportunidade surgiu, as férias foram marcadas e foi tudo alinhado ao pormenor! Destino: Costa Vicentina.

Pequeno (grande) problema: as previsões iam ser cada vez piores, precisamente durante a semana que tínhamos combinado tudo... Lembrem-se bem disto quando tiverem a ler o resto do relato!

Fiz a viagem até Lisboa logo de manhãzinha, fui almoçar com o João, que já não via há imenso tempo, e depois disso encontrei-me com o meu primo. Tudo empacotado no carro, que mais parecia uma carrinha de mudanças de tão carregado que estava, fizemo-nos à estrada!

Antes de sequer descarregar as coisas, fomos logo espreitar spots, para aproveitar a luz do dia. Vimos o que queríamos, comprámos alguns alimentos e então sim - descarregar.
Tralhas de surfcasting, spinning, chumbadinha... Só tralha!
O plano era tentarmos a sorte a pescar ao fundo, podia ser que déssemos com alguns sargos ou douradas. Já que de outra forma, era impossível pescar....

Alimentámo-nos bem, vestimos o fato de chuva e fomos apanhar isco. E que chuvada levámos! E o vento? Impossível, foi simplesmente de loucos!
Parecia coisa de filme, em que a qualquer momento ia aparecer o Godzilla ou outro monstro qualquer no meio da tempestade...mas lá conseguimos safar algum isco.

A caminho do pesqueiro, com uma chuva e vento que mais apetecia era ficar em casa, encontrámos um coelhinho na beira e brincámos que já tínhamos um petisco (calma que não fizemos mal ao bichinho, ele fugiu logo).
Mas só brincámos até encontramos mais à frente um grande javali. Porra, que susto aquela visão do nada! Uma besta preta, ali parada no caminho e quase nem nos ligou, foi calmamente embora... Pudera, o susto foi maior para nós que para ele!!!

Recompostos do susto, esperámos uns 45 min. para que a chuva e vento acalmassem. Quando deixou, fomos lançar umas chumbadas bem lá do alto de uma falésia.
Íamos sentido peixe aqui e ali, mas nenhum vinha ferrado. Até que me calha a mim o primeiro peixe ferrado!

Umas valentes pancadas, levou alguma linha mas acabou por ser dominado. Faltava agora a parte crítica - levantar o peixe. E começaram as complicações...

Com o peixe encostado, o mar a bater, eu apenas posso segurar a cana e ir controlando. O meu primo põe a rabeca na minha cana. A rabeca prende no primeiro passador.
Voltamos a abrir e a passar para a frente. A rabeca quase não desliza por causa dos passadores.
Vai até à ponteira. Fica presa na ponteira. Eu tento abanar um pouco a cana e lá acaba por soltar e deslizar pelo fio abaixo. Vai descendo e descendo...

Vem uma onda de um set mais forte. Ao mesmo tempo a rabeca toca na água. O carreto começa a cuspir fio por causa do peso todo, o fio toca num penedo qualquer por baixo da falésia e puff......

Xau peixe.
É mau? É, mas pode ser ainda pior. Graças a esta confusão toda, o passador da ponteira foi completamente arrancado.
Peixe, chumbada, ponteira... Tudo com o c*****o!

Lixado da vida, volto a fazer a montagem e continuo a pescar, mesmo sem o passador. Que se lixe!

Entretanto foi a vez do meu primo ferrar peixe, um bom peixe! Controla-o de cima, vai encostando e desta vez mudámos de tática. Veio à mão para cima, agarrando na linha e puxando muuuuito devagar para não partir!
Conclusão? Vejam vocês mesmos!
Valente dourada, esticadinha mas magra...!
Ficámos malucos, uma grande dourada, já estava mais que ganha a noite!!

Mas a noite não ficou por aí... E passados uns 20 min., voltou a ser a minha vez de ter peixe ferrado, round 2!
A tática usada foi a mesma - puxar o fio à mão. Eu segurava na cana e ia compensando no carreto, o meu primo enrolava à mão até que...
JÁ ESTÁ!! A MINHA PRIMEIRA DOURADA!!! LINDA, FANTÁSTICA, EU ESTAVA EM DELÍRIO!!!
Primeira dourada - 2,265kg

Ferradinha no beicinho!
Bem, que noite estava a ser... Duas douradas, um peixe perdido, uma ponteira retalhada...!

Continuámos a pescar, íamos sentindo peixe ocasionalmente, mas sempre muito manhoso. O meu primo voltou a ter peixe ferrado, mas ao encostar acabou por partir mesmo rente ao anzol.

Pesca terminada, vamos mas é para casa que amanhã há mais!

Mas antes, umas fotos para celebrar ;)
As duas capturas da noite

A minha primeira dourada! :)

Milton e as duas douradas


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Acordámos ainda meio abananados da noite anterior, mas estávamos ali era para pescar. Tomámos o pequeno-almoço e fomos dar uma volta durante a maré baixa para espreitar spots. Não vimos grande coisa, mas o passeio foi brutal!
Ninho de Cegonha

Flora das dunas
Como tínhamos levado as canas connosco, decidimos fazer uns lances no mesmo spot para ver se as madames ainda andavam por lá. Acabamos por não as encontrar e com a fome a apertar, fomos para casa saborear uma bela dourada escalada na brasa!
Selfie estragada pela fita :)

Dourada escalada e assada na brasa!


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Mais um dia, mais uma saída atrás do peixe. Repararam que eu disse ao início que as previsões iam piorando cada vez mais? Pois, dia após dia, foi aumentando o vento e o mar, quase impossível pescar.
Mas temos que fazer ênfase no quase...
Os persistentes, bem agasalhados!
Porque fomos para ali para pescar, e é a pescar que estamos bem! Quem também ficou bem na foto, foi um valente sargo quileiro que safou um dia que parecia estar perdido no meio de grades!
Sargo quileiro - o safa grades
De noite, as previsões iam estar aceitáveis, mas o mar não. Optámos por mudar a tática e em vez de pescar da pedra, procurámos um cantinho que deixasse fazer um surfcasting. Acabámos por encontrar e demos com uns sarguitos, que foram o almoço do dia seguinte!
Sargos jeitosos

Antes de irem à grelha....

...Depois de estarem no solário! Que belo bronze!

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Se antes estava quase impossível, neste dia a coisa estava mesmo má. E também para descansarmos um pouco, fomos dar uma volta ao longo da costa, visitando alguns quintais bem conhecidos e que certamente muito bom pescador irá reconhecer logo à primeira foto ;)
Praia de Almograve

Cabo Sardão

Zambujeira do Mar

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O tempo vai passando e quando damos por ela, já estamos praticamente no final das férias. E com a sorte que tivemos até à data, obviamente que só agora as previsões acalmavam. Óbvio...

No último dia de pesca, dividimos a investida em dois. Primeiro vamos fazer uns lances para relaxar no rio, só para esticar as linhas e tal. Sem grande pressão para apanhar o que quer que seja.
Canas ao alto, Vila Nova de Milfontes ao fundo :)

De noite, com as previsões todas alinhadas como bem gostamos, tínhamos que dar tudo por tudo. A fé era bastante, a esperança ainda maior. O vento acalmou, a chuva deixou de chatear, o mar estava em queda. Tudo perfeito!
Até o pôr-do-sol foi perfeito.
Mas se sorte não tivemos até aquele momento, também não ia ser agora, não é? O que poderia estragar tal noite de tanta esperança?

Algas. Quilos e quilos de algas foram apanhados e içados falésia acima. Chegámos a deitar-nos na pedra sem estar à pesca, a olhar para o céu, apenas para fazer tempo de a maré virar e levar com ela as algas!!

Mas pouco adiantou... Juntemos agora a essa noite o facto de eu ter ferrado um peixe e, quando ia começar a levantar, lá veio o raio da onda que varreu tudo - fio na pedra e acabei sem peixe.

Acabámos por fazer uma valente jornada de quase 8H a pescar, sem grandes resultados. Um sabor agridoce, assim como a promessa de que um dia voltaremos e, aí sim, é que vai ser!!

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Desculpem o relato longo, mas resumir uma semana com tanta pesca no meio, torna-se complicado :) Certamente muitas peripécias escaparam neste relato, outras nem valem a pena contar, mas o que posso garantir é que mesmo correndo como correu, ficarão todos os momentos bem gravados na memória.

Daqui a uns bons anos iremos estar os dois sentados, de cana na mão numa pedra qualquer - como de costume - e vamos invocar estas aventuras para a conversa. E vai ser como reviver tudo...

Isto é que é pesca. O resto são grades.
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