terça-feira, 16 de julho de 2019

Açores 2019 - Parte 2

Ora então, vamos lá à segunda parte do relato açoriano!

Depois da aventura embarcada (e que aventura!), voltei às pescas costeiras. Ainda mal tinha acabado de pousar o pé em terra e já estava a combinar uma pescaria para o dia seguinte!

Antes de ir à pesca, nada melhor que um mergulho para refrescar as ideias. Mas com cuidado, que as caravelas-portuguesas andam por perto....!!
Caravela-portuguesa (Physalia physalis)
Combinei com o Rúben e mais um amigo terceirense (Paulo) uma pescaria, fomos tentar a nossa sorte num fim de dia. Mal chegámos, o Paulo teve uma perseguição de uma anchova.
Mas passados cerca de 30mins, pude ver que estes peixes não estão para brincadeira...

O Paulo avisa que tem peixe mas bate pouco. E nem 2 segundos depois de bater, começa a correr e a puxar fio!! O carreto já estava quase fechado, e sempre a puxar linha!

ZZzzZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!!!!!

Aviso o Paulo que o peixe estava a fugir para um fundão bem rochoso mesmo aos nossos pés e para ter cuidado com o fio. Acabo de dizer isso, ele tenta subir um pouco a linha eeee....

Puf.
Foi-se.
Adeus amostra, adeus peixe... Sensação muito, muito amarga.

Continuamos a pescar e a imaginar que raio seria. Tudo indica que era uma valente anchova.

Já quase a ir embora e no meio do escuro, o Ruben puxa algo mesmo aos pés que parecia ser um monte de algas. Errado, era uma lula!!
Incrível, aqui é mesmo tudo aleatório!

Depois de ver tudo isto, fiquei ainda com mais pica e decidi no dia seguinte explorar outros spots, mais a norte da ilha. Tudo e todos indicam essas zonas como sendo melhores e mais propicias, mas é preciso que o mar deixe.

No primeiro spot onde estive, apenas vi uma cabecinha marota de uma anchova a saltar fora para atacar - sem sucesso - a amostra, mesmo aos pés numa escoa.
Insisti nesse spot mais um bocado mas apenas consegui enganar (mais) uma garoupa com vinil.
Garoupa com Black Minnow

"Já não é grade!" - pensei eu!
O tempo vai passando, peixe a sério nem vê-lo... E duas opções surgiram. Ou ia para casa descansar, ou ia explorar outros spots, mesmo sabendo que já estava sem grandes condições.

......OBVIAMENTE QUE FUI EXPLORAR SPOTS! :)

Chegado ao spot e sem grande expectativa, começo a lançar em várias direcções para sondar a zona.
E eis que lanço lateralmente, para uma zona onde fazia uma escoa e estava bem oxigenada e....

Um ataque valente! Pancadas energéticas e o fio sai do carreto! Vou puxando para mais perto. Estava numa pedra muito alta, ia ser um problema para recolher o peixe...
Com toda a calma que conseguia ter na altura, fui controlando até ficar bem perto. Uma anchova!

E o que estava mesmo atrás dela? Outra anchova a competir com ela!
Surreal!!!

Estava numa situação complicada. Sem puxeiro, numa pedra bem alta, a pescar com fluor fino (0,37mm é fino!)... Tudo para correr mal.
Mais ainda, quando vejo que o peixe já não está ferrado pela boca, mas sim pelo dorso!

Bem... Vai ter que ser, tenho que arriscar. Puxo o peixe para uma beira, tento encostar e levanto a peso para pousar numa outra pedra.
Assim que pouso, começa a bater com a cauda e quase cai numa fenda, mas consegui segurar e puxar para cima de outra pedra.

Desço (ainda hoje nem sei bem como) da pedra o mais rápido possível  e finalmente, consegui!!!
Primeira anchova da jornada!

Gradeiro e Anchova

Bonita Anchova e bem ferrada!
Nem queria acreditar! Agora sim, estive à luta com um bom peixe!
Mas sabia que havia outra por perto, por isso não podia perder muito tempo...

Todo contente, continuei a lançar para o mesmo local mas não senti nada. A maré estava a mudar e o mar já não estava a fazer feição naquela zona.

Um pouco mais à frente já mexia melhor, faço 2 ou 3 lances e pareceu-me sentir algo ao recolher.
Mais um lance e já está!!

Outra anchova doida, desta vez em sitio mais acessível e bem ferrada na boca! Que gozo este peixe dá, é cada arranque...!!
Curiosamente, mais uma vez a competição destes peixes veio ao cimo e vi novamente uma anchova à disputa com a que estava ferrada. Há com cada uma...!
Segunda anchova da jornada!

Anchova ferrada pela boca

É a loucura!
Não consegui enganar mais nenhuma, mas já era pedir demais :)
Duas anchovas, aproximadamente 1,5kg cada uma!

Estava contente, sentia-me feliz e realizado.
Anchovas - Pomatomus saltator

Gradeiro e um par de anchovas terceirenses! :)

Anchovas dos Açores
Depois dessa pescaria, o tempo virou e tive que voltar à costa sul da ilha. Acabei por reencontrar "velhas amigas" de seu nome garoupas que lá iam me safando uma ou outra grade certa.

Quando havia dúvidas se gradava ou não, parece que bastava lançar uma zagaia ou vinil, ir apalpando os fundos e lá conseguia desencantar um ou dois :)
Garoupa com vinil

Mais uma vez, não é grade!

Garoupa com Candy Shrimp 30g

Mini-Garoupa

Parte de uma boia(?) de pesca em plástico duro, produzida em Vigo

Mas então... E onde estão os dentes afiados que tinhas falado? - perguntam vocês e perguntam muito bem!!

Os dentes das anchovas são bem afiadinhos, mas há quem tenha piores!! Muito, mas muito piores!

A pesca da despedida foi feita com o Rúben, mais uma vez num fim de tarde. Voltámos ao sitio onde tinha tirado a bicuda que falei no primeiro post.

Mú! Múúú! Mú mú?
Amostra para cá, amostra para lá e não sentíamos nada. Estamos nós na conversa da treta, quando o Rúben tem um ataque explosivo mesmo aos pés, quase fotocópia do ataque da primeira vez!

Mas este ataque já deu mais trabalho... Porque tratava-se de uma bicuda de respeito! Ainda levou alguma linha do carreto mas como ele tinha uma cana forte, conseguiu rapidamente puxa-la para fora.

Uma luta curta, forte mas brutal!
E em boa hora o fez, pois mal o peixe pousa na pedra... A fateixa da amostra é arrancada e outra fica toda aberta!
Bicuda e Storm Seabass Thunder Minnow 17 (sem fateixa!)

Rubén e a Bicuda XXL!
Era um bicho enorme. Enorme mesmo! Pesado e medido em casa, tinha nada mais, nada menos que.... 98cm e 3,5kg!
Uma besta! E aqui estão, os prometidos "dentinhos"!
Bicuda - Sphyraena viridences
Claro que isso dá logo uma motivação extra para continuar a pescar, mas há quem tenha nascido com o rabo virado para a lua e quando já estávamos prestes a regressar...

Eis que o Rúben desencanta mais uma bicuda, uma "pequena bicuda" pensávamos nós. Comparando com a outra, era pequena! Mas tinha "só" 1,7kg...!!
Como já era noite cerrada, acabei por só tirar fotos em casa.

Apreciem bem o tamanho delas (e a diferença entre elas)!
As duas bicudas capturadas pelo Rubén
Agora uma curiosidade: ambas foram apanhadas com uma amostra que lhe ofereci da última vez que lá estive :) Há coisas do caraças....

E assim foram as aventuras por terras açorianas! Não foram sempre a apanhar peixe de sonho, mas pouco a pouco a coisa foi-se compondo.
O belo nascer do dia Açoreano
Sinceramente, acho que foi positivo e assim a curva de aprendizagem vai-se mantendo regular :) Nem acho que já sei tudo, mas também não acho que não sei nada :P

A aventura embarcada é que deixou um bichinho por estes lados... Certamente irei repetir quando tiver oportunidade!

Para terminar e como "recompensa" por terem lido até ao fim, deixo-vos o video de algumas das filmagens que fui fazendo, espero que gostem!


Ler mais »

terça-feira, 2 de julho de 2019

Açores 2019 - Parte 1

Olá a todos!
Antes de mais, peço desculpa pelo extenso relato (que será feito em 2 partes) mas a verdade é que por mais que tente resumir e simplificar, há sempre muito para contar :)

Mais uma vez, rumei para os mares e paisagens do paraíso plantado no meio do Atlântico - Açores, Ilha Terceira!
Até já oh mar robaleiro!
Como não podia deixar de ser, levei o material de pesca para tentar enganar uns pelágicos. Numas férias de quase 3 semanas, haveria muitas oportunidades para tentar enganar uns peixes com dentinhos...
Estava muito transito neste dia!

Mú?!
A primeira captura foi um atum! Quer dizer, um atunzinho...Mas um atum dos pobres...Vá, pronto foi uma cavala! :)
Numa pesca meio a correr, foi o único peixe desse dia. Deu para entreter durante um bocado :)
Uma cavala, já não é grade!

Gradeiro e um pseudo-atum :)
No dia seguinte, fui a um dos spots onde estive nas outras visitas à ilha, acabei por apenas enganar uma garoupa jeitosa, pescada com um jig bem bonito :)
Garoupa capturada com jig

Primeira captura "a sério"
Entre as pescas, ia aproveitando para visitar alguns cantinhos da ilha e tirar umas fotos bem bonitas :)
Não gosto de ir a um sítio, visitar os pontos quentes de turismo e dizer "já está, next!". Há sempre muito por descobrir, muito para ver e viver!

Desta vez, visitámos um ponto turístico conhecido de Angra do Heroísmo - Jardim do Duque da Terceira, e explorámos os recantos bem verdes da Lagoa das Patas. A Natureza está sempre presente em cada canto da ilha, mas é fantástico como há sempre mais por descobrir...!
Jardim Duque da Terceira - I

Jardim Duque da Terceira - II

Pesqueiro com uvas? Nem com milagres isso vai dar certo...

Natureza....

Dois mundos num só
Na busca por um peixe maior e lutador, fui acabando por enganar apenas garoupas e lagartos. É a minha sina nesta ilha, primeiro terei que apanhar o peixe "menor" para, eventualmente e quem sabe, vir a apanhar outros peixes :)

Já o Rúben (primo da minha namorada) teve melhor sorte numa das nossas idas e conseguiu enganar uma boa bicuda que atacou mesmo aos pés e provocou um valente reboliço na tona da água!
Uma valente bicuda!
Entre lagartos e garoupas, garoupa e lagartos, lá fui me entretendo mas sempre com peixe maior em mente...
O primeiro lagarto da jornada!

Já cá faltava...!

Garoupa (Serranus atricauda) jeitosa, desta vez com amostra!

Gradeiro e a garoupa

Mais um lagarto...

Estou tão contente....!

Wazaaaaaaaaa! - diz o Lagarto ao Gradeiro

Já chateias oh lagartixa! - diz o Gradeiro ao Lagarto

E nos momentos aborrecidos tiram-se fotos :)
Então e quase de um dia para o outro, surgiu um convite para fazer uma pesca embarcada, slow jigging. Não ia nada preparado... :)

Não tinha material adequado, nem cana, nem carreto, nem jigs, nada de nada! Felizmente, a pesca tem boas pessoas e a mesma pessoa que me convidou, desenrascou-me o material necessário.

Mas para além do material, há toda uma técnica a aprender. Uma coisa é o que se vê nos videos, em casa e depois dizer "ah, já sei como é, é fácil". Outra é estar em acção de pesca e ter que aplicar tudo correctamente! E acreditem, para quem sempre fez pesca de costa... Não foi fácil a adaptação :)
Slow Jigging Sunrise
Ainda assim, pouco a pouco, observando e perguntando como se faz, fui tentando me safar como podia.
E acabei por fazer a minha primeira captura de slow jigging!

Um enorme, um majestoso, o mais lutador de todos os peixes e desejado por pescadores de todos os 10 continente e oceanos...Carapau.
Captura com Slow Jigging - Check!
É verdade, a minha primeira captura de slow jigging foi um carapau acidentalmente ferrado pela cabeça! Foi uma risota pelo barco que nem vos conto :)
Bem, uma coisa é certa... Não irei esquecer a minha primeira captura! :)

Enquanto os restantes pescadores no barco iam tirando peixe atrás de peixe, eu comecei a dar a parte fraca e a vacilar. E acabei por ficar meio enjoado, como era de esperar. Mas acham que parei de pescar? Nada disso!!
Vomita-se um bocadinho, respira-se ar puro e siga para a frente!

E assim, finalmente veio a captura decente!
Nem sei quem tem ar mais parvo, eu ou a Garoupa :)
Depois da primeira, foi tentar replicar o processo e ir melhorando. Os enjoos iam aparecendo mas com o passar do tempo, habitua-se. Volta e meia, lá tinha eu que parar por 2mins, sentar-me e respirar bem fundo. E logo de seguida voltar a pescar!

E claro, tirar umas valentes garoupas no meio disso tudo :)
Garoupa aos 80m, Slow Jigging

Mais uma garoupa açoreana bem grande!
Ainda tive oportunidade de ver um bom pargo sair, um peixe lutador até à última! Ainda para mais com o fantástico tamanho que tinha, diria que à volta de 3kg ou mais!

Já mesmo no final e antes de ir embora, acabei por perder um jig sem saber como, simplesmente alguma coisa cortou o fio que julgava ser um 0,70... Logo ao lado tiraram um peixe espada branco e disseram-me "aí está a resposta ao que te aconteceu, foi um destes que te cortou a linha".

Nunca pensei que isso fosse assim "tão fácil" de acontecer!

No regresso aproveitei para tirar algumas fotos da ilha a partir do mar... E é realmente fantástica a paisagem!
Monte Brasil do lado de S. Mateus

Monte Brasil - Visto de frente

Monte Brasil - Visto do Mar

Monte Brasil - Camadas e camadas de lava

Monte Brasil - Vista do lado Este, com guarita ao fundo

Angra do Heroísmo vista do mar
Em relação à pescaria, foi muito boa a meu ver e apesar de quase não ter contribuído com peixe, acho que contribui com um pouco de "engodo" e alguma moral :)
Acabei por levar 4 peixes para casa, para saborear junto da família!
Resultado da pescaria - Muitas garoupas, 2 pargos e 1 carapau :)

As garoupas que trouxe para degustar!
E assim termino a primeira parte da mais recente visita aos Açores.

Para quem não gosta muito de ler, mas mesmo assim chegou até aqui, podem ficar descansados pois estou a tratar do video e colocarei no próximo post!

Espero que estejam a gostar até agora e preparem-se pois a 2ª parte já tem os tão desejados dentinhos...!
Ler mais »

domingo, 23 de junho de 2019

De volta aos robalos!

Olá a todos!

Terminada a aventura na costa alentejana e antes de ir de férias para os Açores, voltaram as investidas pelos cantinhos cada vez mais habituais. Ainda cheios de mistérios e manhas, por vezes bem interpretados, outras nem por isso...!

Falemos de pesca!

Ultimamente tenho feito algumas pescarias com o Ricardo Martinho, um amigo que conheci através do PCA e parceiro da Team  Fiiish, mas curiosamente poucas pescas tínhamos feito em conjunto, principalmente desde que vim cá para cima.
Mas resolvemos isso facilmente!

Combinamos uma pescaria ao final do dia, quase em cima do joelho e a correr. Eu, por causa do trabalho, iria chegar um pouco mais tarde e já quase sem luz. O Ricardo foi mais cedo um bocado mas não deu com eles.

Esperamos que a maré baixasse um pouco num spot, antes de irmos para outro mais promissor. Enquanto esperávamos, acabei por enganar o primeiro da noite. Um robaleco deixou-se enganar pela minha amostra lowcost.
Disse-lhe que desta vez passava, mas da próxima vez é bom que volte maior e mais gordo!
Robalo com Macua 17
Quando chegou a hora ideal, mudamos para o tal spot que tínhamos em mente. Lançamento atrás de lançamento e peixe nada...
O tempo ia passando, vamos falando disto e daquilo, da "amostra que vai dar agora" e do "vinil milagroso que vai safar a noite", quando o Ricardo leva uma valente pancada, mesmo encostado à pedra onde estávamos - e que bela luta ali se deu!

O peixe a bater e puxar para um lado, o Ricardo a fincar o pé e mandar o peixe para o outro! Sempre em tensão máxima, o peixe acaba por ficar encostado à pedra, eu desço para lhe deitar a mão e... Wooooowww, valente robalo!!
Ricardo e um valente robalo!
"Vamos lá, vamos lá! Tem que haver mais aí!" dizia o Ricardo enquanto eu tratava de registar o momento :)

Bem... Não se enganou e passados 20mins, engana outro! E este por pouco não saltava directamente para fora, tão perto que atacou! Mais pequeno que o anterior, acabou por ficar a descansar numa poça até decidirmos o que fazer com ele.
Perguntei ao Ricardo como tinha sido a animação, o momento do toque e tudo o resto que possa influenciar e acabei por trocar para um vinil mais adequado e semelhante ao dele.
Foram precisos 10mins para ser a minha vez de tirar outro peixe e equilibrar as contas!
Pequeno de tamanho, mas grande de espírito, voltou para a água como manda o bom senso e consciência ;)
Robalote atrevido, atirou-se a um BM 140
A maré já começava a querer mandar-nos embora, mas estávamos com o feeling. Aguentamos, aguentamos mais um pouco, faz-se mais uns lances... E quando já pensávamos se íamos ou não embora, o Ricardo leva mais uma valente pancada na cana que ate fiquei parvo, que brutalidade!
Mais um valente robalo para ele mas com um dissabor.

Quando fui pegar no robalo, não se apercebeu da curvatura que a ponteira estava a fazer. Bastou eu dar um passo para a frente e ele dar 2 seguidos, a ponteira não aguentou o ângulo e tensão...

Pois... Já podem adivinhar, partiu-se a ponteira, mesmo abaixo do primeiro passador.
Robalo, vinil, ponteira... tudo ao molhe!

Mais um bom robalo para o Ricardo!
Bem, quando se está em alta não se pára e ele não parou :) Siga pescar que isto hoje está a corre bem!

Acabamos por não tirar mais nenhum peixe, mas ficou ali uma boa lição. Percebi já quando estávamos a ir embora o porquê de ele ter tirado e sentido mais peixe... ;)

Não irei revelar a conclusão pois é um pouco irrelevante, apenas deixo a ideia no ar para que questionem sempre o porquê das coisas, há sempre uma razão para as coisas acontecerem!
O resultado da noite!

--------------------------------------------------------------------------

No entanto, também já tivemos dias (noites?) que acabaram por ser para esquecer.

Em condições semelhantes, no mesmo local, houve de tudo um pouco durante umas 5h de pesca!

Começa a noite com o Ricardo a tirar (mais uma vez) um robalo praticamente encostado às pedras.
Robalo e Black Minnow - Ricardo Martinho
Uma hora depois, mais um para ele e que voltou para o mar.

E daí para a frente foi a desgraça.
Eu não senti um único peixe. Ele, volta e meia, levava cada pancada na cana que até metia medo...Mas não ficavam ferrados!!

Vi esta situação acontecer umas 3 ou 4 vezes durante a noite toda. Esperamos que amanhecesse, para aproveitar as primeiras luzes do dia.

Eu tinha levado passeantes, mas ficaram caídos no carro. O Ricardo empresta-me uma Patchinko 140. A maré já impunha algum respeito e obrigava a pescar muito recuado pois volta e meia a pedra era varrida pelas ondas.
Começo a lançar em várias direcções, até que lanço para a zona onde o Ricardo teve os ataques...

Faço uma recolha certinha e com o passeante a trabalhar a bom toque, faço uma única paragem já encostado à pedra para a onda passar e acontece.

UMA VALENTE CABEÇADA! O passeante desaparece completamente, a cana dobra-se toda, o carreto bem estava trancado mas deixa sair alguma linha!


Puff.....
E foi-se.


Cortou o multi na pedra mesmo em frente onde eu estava e fiquei sem peixe e amostra.

Poucas horas de sono. Sem toques a noite toda. Quando amanhece e finalmente tenho um ataque, isto acontece... Podem bem imaginar, que fiquei pior que podre! Já nem queria saber de nada, estava completamente de rastos, desiludido, frustrado.
Tudo o que possam imaginar.

Foi a primeira vez que tal me aconteceu, perder um peixe e amostra.
Há sempre uma primeira vez para tudo....

O Ricardo, que assistiu a tudo incrédulo, rapidamente me passou outro passeante. Como ainda nem tinha o nó feito, disse para ser ele a usar.

Faz ele uns 3 lances e... Tira um robaleco que media pouco mais que a amostra!
Quem será maior, passeante ou robalote?!
Ainda estava eu a fazer o nó, de costas para o mar mas bem afastado e resguardado, quando uma onda bem mais puxada que o habitual até então, me bate pelas pernas e lá vou eu de cu à água!

Olho para trás, a rir-me (porque realmente só dá mesmo para rir disto tudo) e vejo o Ricardo atrapalhado a vir ter comigo a ver se está tudo bem. Até que eu vejo que vem outra onda igual e só tenho tempo de lhe dizer "VEM AÍ OUTRA! SEGURA-TE!!"

E lá vou eu outra vez de cu para a poça de água, o Ricardo vai também aos tombos... Passa a água toda, só nos riamos porque estava a ser surreal!

Mudamos de spot e lá consegui finalmente fazer o nó de ligação.
Vou eu para uma zona com passeante, o Ricardo fica noutro a pescar com vinil e nem 5mins lá estive. Já estava ele a fazer-me sinal que tinha peixe. O que era?

Um bonito bodião!
Bonito bodião com Black Minnow
Que noite... Acabamos por dar por terminada a jornada e ficamos por ali, porque já nem sabíamos que mais iria acontecer!

Agora resta-me começar a tratar do próximo post, onde poderei mostrar uns peixinhos mais dentuços que estes aqui :)

Um bom S. João para todos!
Ler mais »