Este ano foi ingrato no que toca à pesca à truta, por ter coincidido com o
confinamento obrigatório e respetivas restrições precisamente nos meses fortes
desta pesca (Março-Abril).
Com Maio já bem lançado e depois de uma primeira investida que deu em grade,
as hipóteses de capturar uma truta este ano estavam a ficar cada vez mais
escassas. Foi então que desafiei o Rúben para experimentarmos uma ida até ao
Mondego e ver se enganávamos umas trutas.
A manhã estava fresca, talvez fresca demais para esta altura, com o nevoeiro a
tapar qualquer raio de sol. O rio parecia um espelho, de tão parado que
estava!
Começamos a pescar e a experimentar alguns pontos mais interessantes, mas as
trutas não davam sinal. Decidimos então subir um pouco e ir para outra zona.
Ao fazer os primeiros lançamentos, sinto umas prisões de algas bem lá ao
longe, mal a amostra caía na água.
Acabo eu de comentar "isto está cheio de algas, vou ter que trocar para um
vinil" levo uma pancada e aí está! A primeira truta do dia (e deste ano)!
Primeira truta do ano!
Bela truta de 38cm!
Truta capturada com Powertail 64
Peixe libertado, faço mais alguns lançamentos mas realmente não havia forma de
pescar com tanta alga. Entretanto voltamos a mudar de sitio, indo rio abaixo
conforme as margens deixavam pescar.
Com a água pela cintura e num spot complicado para chegar, eis que acontece
algo...
Faço um lançamento longo, bem puxado e começo a trabalhar o powertail 64 com
vigor. Sinto uma pancada, mas não ferrou!
Acabo de dizer "tive um ataque" e nem 2 segundos depois... O mundo pára,
enquanto a cana dobra TODA!
Apenas sinto puxões fortes, brutos. O peixe dá um salto bem alto e estrondoso
a meio do rio.
Depois do salto ainda fiquei a pensar se era mesmo possível ser uma truta,
porque a luta era bem bruta e forte, sempre dentro de água.
Mas quando chega perto de nós...
QUE TRUTÃO!!
Eu assim que a vi só comentei "eu não tenho rede para isto" e tive que
respirar bem fundo para acalmar e tentar não me precipitar - um erro meu e já
era.
A truta sempre cheia de vida começa a encostar-se a nós e de repente.... Passa
pelo meio das minhas pernas. Temi o pior! Se a fateixa toca nos vadeadores, é
o fim de tudo - vadeadores, pesca, truta, tudo!
Por sorte (demasiada sorte) acabou por não tocar em nada e quando voltou a
passar pelas pernas, apanhei-a... E meus senhores, que TRUTÃO!
Uma grande truta!
Truta de 51cm - capturada com Powertail 64 Black Gold
Beleza de truta!
Fiquei um bocado a admirar aquele belo peixe de 51cm - sim,
51cm de truta! Um novo recorde num dia em que o objectivo era apenas
apanhar a primeira truta do ano. Quem diria...!
Não dá para conter a alegria!
Mega truta de 51cm!
Depois de registado o momento, veio a libertação. Noutras mãos talvez não
tivesse a mesma sorte. Espero que o reencontro seja em breve e com mais uns
quantos centímetros!
Eu nem queria acreditar que aquilo tinha acabado de acontecer, para mim já
estava mais que feita a pesca!
O Powertail do recorde!
Obviamente não parámos pois eram apenas 10h e ainda havia mais para pescar.
E como não há duas sem três... Passado cerca de 1h e já num novo spot, mais
uma bela truta! A pancada que elas mandam é sempre tao bruta, tão violenta...
É impossível não ficar viciado com isto!
Mais uma bela truta de 40cm!
3 trutas num só dia, que sonho!
Depois desta captura demos por encerrada a pesca matinal. Fomos para a beira
do carro almoçar enquanto se definia o plano para a tarde.
Tomada a decisão fomos para outros lados experimentar, a ver se a tarde era
tão produtiva como a manhã.
Pouco depois de começarmos, ferro uma pequena truta que acaba por desferrar-se
logo de seguida...
Entretanto avistamos uns barbos de cima da ponte e estava eu a tentar enganar
um deles quando uma trutinha sai disparada debaixo de uma pedra para atacar o
vinil - também se desferrou.
"Se de manhã ferrei 3 e tirei 3, por este andar agora à tarde ferro 3 e perco
3!"
Dito e feito, mais uma vez quando nada fazia prever! Um valente barbo a comer
na margem, atiro um vinil e quando passo perto de uma ramada, sai uma truta
disparada e rapidamente para lá voltou porque...
Exacto, desferrou-se :)
Foi um dia fantástico, inesperado e que acabou por dar-me boas capturas, tanto
em número como em qualidade, já para não falar do grande recorde!
A pesca é isto... E eu adoro!!
Deixo-vos aqui o vídeo das capturas, espero que gostem!
Olá e bem-vindos a mais um relato! Desta vez não é um relato de sargos,
robalos ou sequer trutas mas sim um relato de pesca à inglesa, às carpas!
Para quem não conhece, é uma técnica muito usada em competição, bastante
simples e divertida! Por várias razões acabei por nunca conseguir dominar e
treinar mais durante os tempos em que
fazia competição federada na minha juventude. Mas o bichinho sempre andou por cá, adormecido…
Depois de remexer no material de pesca de competição que estava arrumado na
garagem, memórias e sensações antigas vieram à tona impulsionando-me para que
juntamente com a minha mais-que-tudo planeássemos um dia diferente, dedicado a
este tipo de pesca na Quinta da Boavista.
Tudo preparado na véspera, cedinho rumamos estrada fora em direção à Quinta. O
primeiro contratempo foi termos ido parar à entrada errada, pois a Quinta tem
um local de hospedagem, mas a pista de pesca fica na outra ponta, por outra
entrada :)
Depois de entrarmos, o segundo contratempo: nesse mesmo dia à tarde iria
decorrer uma prova federada. Mal olhei para o chão e vi os papeis com as
marcações dos pesqueiros com a data desse mesmo dia deitei as mãos ao ar a
pensar no que fazer. Felizmente ainda havia um cantinho com alguns pesqueiros
e acabamos por nos ajeitar por ali.
Dois estarolas à procura das carpas :)
A logística necessária para preparar o pesqueiro ia-me tornando cada vez mais
nostálgico, e enquanto ia preparando tudo ia recordando e partilhando
experiencias antigas, velhas aprendizagens e momentos (bons e maus).
Ready.... Set.... Go!
Depois de tudo pronto, hora de fazermos uns lances a ver se as carpas estavam
colaborantes. Terão passado talvez 15min quando a minha boia afunda e o
carreto começa a desbobinar linha... Vamos lá à luta!
Uma boa carpa do outro lado puxava por mim, como que a testar-me, a ver se
ainda sabia como se faz. Dedo no carreto para controlar a saída de fio, eu ia
conquistando alguns metros e cansando o meu primeiro oponente do dia. Cana ao
alto, camaroeiro na outra mão e dentro de água.... Já está!
Primeira captura do dia, uma bela carpa!
Primeira captura do dia e eu não podia estar mais feliz! "Afinal, ainda sabes
umas coisinhas" pensei eu…
Primeira carpa à inglesa, após tanto tempo sabe bem!
Continuamos a pesca, pouco depois foi a vez de a Joana tirar umas carpinhas
mais pequenas mas com a mesma emoção e alegria!
A manhã foi avançando com uns toques aqui e ali, mas o peixe estava complicado
de enganar, talvez por estar o tempo em constante mudança (ora nublado e
vento, ora sol sem vento, depois com vento novamente...).
Depois de uma pequena pausa para repor energias durante o almoço, as carpas
também parecem ter voltado em força e foi quando voltaram a aparecer carpas
lutadoras!
Uma delas acabou por ganhar o duelo e infelizmente conseguiu partir-me o fio,
levando com ela uma boia... Burrice minha, por ter demasiada confiança e
apertar com ela quando não o devia ter feito.
Enquanto lutava com a carpa
Os peixes iam saindo com algum espaçamento, até começar a prova e aí a coisa
abrandou novamente. Uns toques aqui e ali, foi dando para passar uma excelente
tarde, com boa companhia e momentos para mais tarde recordar :)
Mais uma bela captura!
Com o sol a começar a desaparecer, foi hora de recolher tudo e dar por
terminada a pesca. Não contei nem pesei, mas foi uma bela pescaria para tirar
a ferrugem e passar um belo dia :)
O resultado de um dia às carpas :)
Obviamente, no final foram todos os peixes devolvidos para podermos um dia lá
voltar e encontrar umas carpas mais gordinhas!
Espero que tenham gostado deste relato diferente do registo habitual neste
blog, mas certamente já perceberam que por aqui não se pratica um só tipo de
pesca, mas sim vários tipos e todos com a mesma paixão, seja água doce ou
salgada!
Até à próxima... E preparem-se pois vem aí um GRANDE relato ;)
Antes de mais, espero que estejam todos bem assim como aqueles que vos são
queridos. São tempos incertos, perigosos e problemáticos estes que vivemos e
acima de tudo, está a saúde e bem estar.
Já lá vão praticamente 6 meses desde o último post... Num ano normal seria
algo relevante, pois tanto tempo sem relatar uma pesquinha é de estranhar, no
mínimo.
Mas tendo em conta que começamos o ano da maneira como começamos, depois todas
as restrições e proibições... Já sabem, nem vale a pena falar nisso. Falemos
do que importa, pesca!
Tal como quase todos os pescadores, quando abriu a pesca fui fazer o gosto ao
dedo mesmo sem grande esperança e expectativas - simplesmente fui porque tinha
que ir!
Nessa manhã não estavam as condições ideais mas o vício falava mais alto e no
fim da manhã lá acabei por enganar dois pequenos robalotes prontamente
libertados.
Estavam assim feitas as primeiras capturas do ano (finalmente!!)
O primeiro do ano!
O segundo do ano... Cada vez menor!
Entretanto e depois de muito ponderar, achei que estava na altura de investir
numa cana nova para pescar à chumbadinha e pião, tendo a escolhida sido a
Katx Katxzilla XK6 6m.
Katx Katxzilla XK6 6m
Passadores Fuji K Alconite na Katxzilla XK6
Uma cana mais leve (440g contra as 540g da Bullfight Nitro) e rápida, bons
passadores (Fuji K Alconite) e a preço acessível, estava encontrada a
sucessora da Vega Bullfight Nitro que tantas alegrias me deu e certamente
continuará a dar (apesar de ficar agora como segunda escolha).
Para além de todas estas características, há 2 pormenores interessantes que
gostaria de destacar e partilhar.
O primeiro é o facto de haver uma espécie de camada rugosa/borrachuda na zona
do porta-carreto. Este pormenor provavelmente vai ao encontro do pessoal que
gosta de colocar manga térmica nos cabos das canas para ter melhor atrito e
não escorregar tanto com mãos molhadas.
Um pormenor muito interessante!
Camada rugosa para não deslizar facilmente
Outro pormenor de relevo é o facto de haver um pequeno cilindro de EVA no
fundo da cana, para evitar que a resina dos passadores não entre nos elementos
quando a cana está fechada e assim evitar chatices com o calor ou apertos.
Já tinha lido sobre isto mas apenas em alterações caseiras. Não fazia ideia
que há marcas a aplicar este tipo de detalhe!
Batente no fundo da cana, para elevar e não entalar elementos
Ora bem, pescador cheio de vontade com uma cana nova já se sabe o que se
segue... Siga estrear a cana!
E agora começa a parte chata. Porquê parte chata? Porque no dia da estreia,
apenas tive 2 toques que resultaram em 2 bons sargos ferrados. Mas a pescar
num spot complicado, o fio nas duas vezes tocou na pedra e...
Bye bye sargos, olá azia duradoura!!
Sim, a estreia da cana foi quase perfeita tirando o facto de ter perdido 2
bons sargos. E fiquei com uma azia daquelas que ficam a moer a cabeça e a
remoer o estômago.
Depois dessa jornada voltei a insistir numa possível estreia mas sempre sem
sucesso. Durante 4 jornadas inteiras, nem um peixe para fazer as honras!!
Até que na 5ª investida, por fim, lá consegui a tão desejada estreia.
Mal o dia nascia e já estava junto à água mas a cor esverdeada desmoralizava
um pouco, fruto de outras investidas sem sucesso nas mesmas condições. Ainda
assim, estava ali para pescar e tentar a sorte.
Sorte essa que acabou por resultar num belo e gordo sargo ainda nem 20m tinham
passado! Cana ao alto controlando os movimentos do peixe, deixei-o cansar-se
bem antes de o fazer passar por cima da rocha que tinha pela frente e... Já
está! O primeiro sargo, finalmente a cana estava estreada e num belo peixe!!
Belo sargo na estreia da Katxzilla
Foto da praxe ao peixe e volto a lançar em busca do segundo. Ia sentindo
alguns peixes aqui e acolá mas apenas toques tímidos - peixe miúdo ou estavam
a comer de faca e garfo...
Por fim lá consegui enganar mais um sargo, este já mais humilde, para compor a
pesca.
Katxzilla com 2 sargos na tao desejada estreia!
A manhã ia avançando e com a hora estipulada para terminar a chegar, dei por
terminada a investida.
Dois sargos capturados, numa estreia à 5ª tentativa, que mais poderia eu
pedir?
....Talvez que da próxima seja mais fácil estrear a cana! :)
Deixo-vos com 3 relatos de umas pescarias dedicadas aos sargos pelo Norte,
aproveitando o arranque do Outono!
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A primeira investida foi numa manhã fria, com bastante humidade e nevoeiro a
tornar a pesca um pouco desagradável. Mas como quem corre por gosto, não
cansa...
Comecei por sondar um pesqueiro recuado mas com bom aspecto, já a pensar em
futuras investidas por ali.
Cana ao alto, chumbadinha onde fazia mais feição e lá tinha um toque de longe
a longe. Fui experimentando outros pesos, trocando entre as 5g e as 15g até
conseguir perceber como poderia apresentar da melhor forma o isco.
Ao fim de algum tempo, lá acabei por tirar o primeiro do dia!
O primeiro sargo do dia!
Continuei a experimentar mas a actividade que era pouca passou a nenhuma. E
isso quer dizer que é hora de procurar outro pouso!
"Saltando" de pedra em pedra lá fui procurando zonas onde estivesse o mar a
trabalhar bem. Demorou, mas lá consegui encontrar mais um bonito e gordo sargo
das pedras!
Deu uma luta fenomenal, porque a pescar fino e com bastantes pedras cheias de
mexilhão pela frente é sempre complicado...!
Mais um bonito sargo!
Sargo grande e escuro das pedras
O segundo da conta!
Depois desse peixe, ia sentindo uns toques aqui e ali mas muito espaçados.
Andava peixe na zona, mas a comer de forma matreira...
Como não tinha tarefas pendentes (vantagem das férias) fui-me deixando ficar
pela zona para acompanhar a descida da maré.
Ao fim de umas horinhas, volto a sentir peixe ferrado e mais um matulão do
outro lado a lutar comigo!!
Com calma e paciência, controlo o peixe para o encostar a uma zona onde o
pudesse puxar para cima, e aí está, mais um para a conta!
Outro valente sargo!
Terceiro sargo capturado
Depois este sargo ainda tive outro mas... Pois é, umas vezes ganhamos nós,
outras vezes ganham eles!
Numa altura em que a maré estava a encher, ferro um bom sargo mesmo à frente
de um rochedo que não tinha forma de contornar ou chegar. E quando o peixe
parecia estar mais calmo e pronto para ser recolhido, veio uma escoa que deixa
o peixe a seco.
Completamente pendurado na rocha! Claro que veio de seguida a onda e o 0,25
não faz milagres. Lá foi ele à vida dele com um piercing novo.
Ainda assim foi uma boa pesca, com peixes grandes e lutadores a pedir
habilidade para os tirar da água!
Resultado do dia: 3 sargos bons!
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O dia seguinte foi um martírio autentico!
Depois de um dia com sargos grandes a dar luta, o dia seguinte revelou-se
quase frustrante para conseguir sentir peixe. Com o mar mais calmo, não havia
muitas zonas a mexer e praticamente não houve actividade!
Apenas bem perto de desistir é que finalmente veio o primeiro (e acabou por
ser único) sargo do dia.
O único sargo do dia, melhor que nada!
Não foi fácil, mas também se fosse fácil não tinha piada :)
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Terceiro dia, terceiro relato!
Como tinha dito anteriormente, uma das vantagens das férias é não ter horas
marcadas ou tarefas pendentes. E isso permite que se façam explorações aos
pesqueiros que pensamos "ali naquele sitio é capaz de funcionar assim, um dia
tenho que ir lá experimentar" mas nunca lá se colocam os pés :)
É precisamente esse tipo de pesqueiro que neste dia fui espreitar. Pesqueiro
de bom feeling mas faltava a confirmação oficial!
Foi preciso cerca de 1h para sentir o primeiro peixe e por pouco não era o
primeiro ferrado e perdido!
Depois de uma boa luta sempre perto das rochas, ao recolher, o peixe decide
desviar-se para o lado errado e fica entalado numa fenda. Não se mexia de
maneira nenhuma!
Entre mim e ele havia algunas poças e rochas, mas com o mar incerto era um
risco. Arrisquei e fui com cuidado pelas pedras fora até bem perto e lá
consegui puxar o peixe para fora da fenda e assim completar a primeira captura
do dia!
Sargo que dá gosto: grande, escuro e gordo!
Pescador feliz com sargo!
Estava preso mesmo pelo lábio...!
Que sargalhão gordo e escuro! Daqueles que andam há muito tempo metidos nos
buracos das rochas, bem camuflados...
Procurei por falhas na linha e claro, estava toda esfarrapada. Corto a linha
até onde estava bom, volto a por anzol e isco para tentar encontrar o segundo.
O segundo ainda demorou bastante, mas também se revelou brutal!
Um toque numa zona afastada, uma luta sempre encostado às rochas cravejadas de
mexilhão e não fosse o drag bem regulado, teria sido uma derrota certa...
Felizmente, correu tudo bem :)
Segundo valente sargo! Que cores lindas!
Um sargo é bom, dois ainda melhor!
Ainda procurei por mais, mas simplesmente não andavam por ali. Não me queixo,
foram 2 bons sargos capturados em modo exploração!
As capturas do dia: 2 bons sargos e um spot novo!
Terminei assim desta forma os 3 dias dedicados à pesca de sargos e à
exploração de spots. Foram dias de aprendizagem, de boas capturas, de algumas
derrotas mas acima de tudo de um pouco de sol e ar puro que tanta falta nos
vai fazendo.
Espero que tenham gostado!
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Agora que estamos em Estado de Emergência, com bastantes restrições
impostas pelo Governo, resta-me apenas desejar que façam o que
fizerem, façam-no com consciência e que estamos todos no mesmo
barco.
Desta vez trago-vos não 1, não 2.... Mas 4 relatos de uma só vez! Só porque
estão todos relacionados e foram todos seguidos, claro! :)
4 dias de pesca dedicados aos achigãs tanto a pescar de pato como da margem,
com vento e chuva, sol e nuvens. Uns dias mais complicados que outros... Mas
isso já vão saber mais abaixo!
São relatos um pouco extensos, mas com tanto peixe capturado e durante tantos
dias, penso que é compreensível :)
Caso não estejam muito virados para a leitura, podem saltar para o fim do
relato e assistir ao vídeo resumo! ;)
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Dia 1
Depois de fazer uma viagem longa mas tranquila, a expectativa e ansiedade
estava em alta e obviamente tinha que ir fazer uns lances. Ainda ponderei
bastante se ia ou não, já que as previsões não estavam muito amigáveis. O
Outono tinha acabado de chegar...
Mas a vontade de pescar fala mais alto que tudo o resto e lá fui eu, rumo a um
spot que aos poucos vou conhecendo os cantos.
Pato cheio de ar, canas preparadas, barbatanas enfiadas nos pés e lá vou eu!
Pato pronto, vamos lá aos achigãs!
Fui experimentando cranks, spinnerbait, alguns passeantes mas sem sucesso. Com
baixa actividade traduzida em nenhum ataque, aproveitei então pescar mais
lento e dar hipótese a algumas técnicas que pouco costumo utilizar
(erradamente) mas que são eficazes nessas situações.
Coloco um jig com um atrelado tipo lagostim e ao fim de uns 10 lançamentos,
eis o primeiro ataque!
Uma boa luta, a puxar bem pela cana com um ou dois arranques mais fortes, mas
esse já tinha o destino marcado - ir para dentro da rede!
O primeiro da jornada
Belo achigã de 700gr
Estava feito o primeiro achigã e soube bem. É um alivio enorme nesta pesca
quando se faz uma boa captura, quase como a dar um sinal de que é esse o
caminho!
Continuei a dar à perna, a experimentar jigs, vinis, ocasionalmente dropshot
mas a única coisa que apanhava naquele instante era... Chuva. Muita, mas muita
chuva. E eu dentro de água com uns calções de praia!
Mas já se sabe, se é para pescar então é para pescar. E eu lá continuei a
pescar!
Já mais para o final da tarde, vou tentar a sorte num cantinho que
anteriormente provou ser um hotspot para os achigãs. E não me enganei.
Lançamento em direção à margem, jig a saltitar pelo fundo na minha direção
e... Já está, mais um!
Mais um achigã com jig
Foram precisas quase 3h para voltar a sentir peixe. Mas foi um tiro certeiro,
porque passado nem 5mins, já estava outro cá fora!
O terceiro achigã do dia!
Novamente, capturado com jig
Peixe desferrado, volto a lançar e... Mais um!! Mas este acabou por se
desferrar num salto acrobático. Foi a sorte dele, senão eu ia-lhe tirar a
fotografia para o cadastro!
Procurei esticar ao máximo este primeiro dia de pesca, mas com os dias cada
vez mais curtos, tive que aos poucos ir me deslocando para a margem senão
ainda ficava às escuras no meio da água :)
Pouco faltou.... :)
Fim do dia, já bem escuro!
Estava assim feito o primeiro dia, com 3 capturas jeitosas (peixes a rondar as
700gr e todos com 38cm), nada mau para quem nunca apanhou peixe com jig e já
não pescava desde Junho!
Venha o dia seguinte!
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Dia 2
Segundo dia, nova aventura!
A sessão de pesca à chuva no dia anterior não foi propriamente agradável,
apesar de até gostar de pescar à chuva - mas quando estou preparado para tal!
Tentei descodificar as previsões para perceber se estaria vento e/ou chuva, e
acabei por não arriscar pescar de pato, mas sim de margem. Sempre é uma
abordagem diferente e permite dar algum descanso às pernas!
Depois de almoço volto ao mesmo spot e deparo-me com um cenário complicado...
Algumas nuvens e bastante vento, que ora estava pelas costas, ora estava de
frente. Bem, já lá estava por isso mais vale tentar a sorte!
Material de margem pronto
Acho que não terá demorado mais do que 30mins para (novamente com jig) voltar
a ter um peixe ferrado! E tão rapidamente tinha peixe, como deixei de ter....
É acabou por desferrar quase de seguida.
Palavrão para fora da boca, siga a pesca!
Insisti mais um pouco no mesmo cantinho, mas sem grandes resultados à vista,
fiz-me ao caminho e comecei a procurar novo spot pela margem fora.
A única coisa que encontrei foram alguns cagados que timidamente emergiam e 2
ou 3 segundos depois de se aperceberem que eu estava ali, voltavam a descer.
As horas iam passam e volto ao sitio inicial, a ver se tinha melhor sorte. E
mais uma vez foi uma escolha acertada, pois em 25mins tirei 2 peixes jeitosos
e estava feito o dia!
Primeiro achigã do segundo dia
O jig continua a dar resultados
Foram ataques fantásticos, quase idênticos e no mesmo jig que no dia anterior
tinha dado resultado. Acredito que tivesse ali um padrão...
O segundo é quase igual ao primeiro!
Coitado, faltava-lhe uma barbatana...
Dois belos achigãs a safar o dia, peixes novamente de umas 700gr e à volta dos
38cm.
Uma pequena curiosidade que só reparei mais tarde. O segundo achigã capturado
não tem a barbatana lateral. O que poderá ter feito aquilo...?
Siga para o dia seguinte!
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Dia 3
Este dia foi simplesmente para esquecer... Acordei com umas dores de costas
horríveis, praticamente não me mexia, estava completamente empenado!
Falei com uma tia que estava lá por casa e acabou por me marcar uma consulta
com um osteopata. Problema? A consulta era as 20h30...
Solução? Já que tenho o dia livre, vou fazer um pouco de exercício e apanhar
ar puro que me faz bem - sim, fui à pesca!
Voltei a fazer uma pesca de margem, mas para além de perder um peixe logo ao
início, acabei por não sentir mais nada o resto da tarde... A não ser algumas
dores.
E pronto, lá foi a primeira grade, muito sofrida :)
Mas o dia seguinte estava reservado para ser em grande....!
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Dia 4
Quarto dia, último dia para pescar, de dar o tudo por tudo!
Bem cedinho, fiz-me à estrada que ainda tinha uns bons kms para percorrer. É
uma viagem bonita, mas bonito bonito é estar dentro de água a pescar :)
O dia estava bastante ventoso, ia ter de dar bastante à perna. Mas o que tem
que ser, tem que ser!
Nas primeiras horas não senti nada, de maneira nenhuma. Spinnerbaits, jigs,
vinis, whopper ploppers, jerkbaits... Nada chamava à atenção e dava-me a
primeira alegria do dia.
Como o vento estava forte, a estratégia foi bater água com spinnerbait
enquando dava à perna contra o vento. E depois fazer o sentido inverso à
boleia do vento, mas com jig.
E eis que num lance para zona de ervas levo uma mocada forte e começa uma
verdadeira batalha!
Por duas vezes a ponteira ficou bem mergulhada dentro de água, toda dobrada!
Mas acabei por levar a melhor e consegui por o primeiro e belo achigã dentro
da rede. Grade já não era!
O primeiro valentão do dia!
Um belo achigã quileiro
Um bonito peixe quileiro a dar cabeçadas e arranques... Que mais poderia eu
querer?
Ora lá está, outro igual!
Ao fazer o percurso de regresso optei, como tinha dito anteriormente, por usar
o jig e bater zonas rochosas mais ingremes.
Num lance diretamente para uma ponta, levo mais uma pancada seca, ferragem
feita e meto-me noutra luta fenomenal!
Valentão #2 que gostou do meu jig!
Achigã quileiro ao jig
Outro peixe de bom calibre, igual ao primeiro do dia. Nada mau, a manhã estava
a correr bem!
Manhã é como quem diz... Pois ja eram 14h e tinha que comer qualquer coisa.
Pequena pausa para um lanche reforçado, beber água e levar o pato para outras
margens, em busca de outras zonas para bater.
Pequena pausa para repôr energias
Novamente de volta à água, o vento durante a tarde parecia endiabrado. Houve
inclusive alturas que tive que me encostar à margem só para não perder metros
que já tinha dado à perna!
Lá acabei por me encostar numa zona mais protegida e consegui fazer mais uns
lances de spinnerbait.
Do que me tinha apercebido, estavam abrigados perto das ervas, logo não perdi
muito tempo em zonas sem essas condições.
E foi uma boa aposta, já que ao fim de 1h sempre a dar à perna contra o vento,
veio o terceiro achigã do dia! Parecia maior, mas percebi que o peso era das
ervas que vinham junto :)
Bonito achigã que foi a terceira captura
Capturado com spinnerbait
Um achigã mais pequeno, mas lutador na mesma! E se 3 achigãs já era bom,
então....
Então e se for um achigã com força suficiente para me fazer dar uma volta de
360º no pato?!
Bastou um lance para (lá está...) uma zona de ervas, algumas maniveladas e
levo uma pancada forte. Um salto acrobático bem perto de mim, e começa a
diversão!
O peixe afunda com força e a puxar para o lado esquerdo.
Deixo-me levar para o cansar e ele continua a puxar, sempre cheio de vida! Até
que o peixe decide virar na minha direção e coloquei logo a rede para o
apanhar.
Quando dou por mim, tinha dado uma volta completa! Surreal a força destes
peixes!
O maior do dia! 1,195kg
Este valentão deu uma luta fantástica!
Acabou por ser o maior do dia e das jornadas, com uns belos 42cm e os seus
1,195kg. Um belo achigã, sem dúvida alguma ficará guardado na memória.
Talvez 2 lances depois e ainda no mesmo sitio, volto a ferrar um peixe mal o
spinnerbait tocou na água mas este já era um peixe mais pequeno com 30cm :)
Com a luz a diminuir e um longo percurso aquático para percorrer, dei por
terminada a pesca, aproveitando a força do vento para me ajudar a deslocar
para onde tinha o carro.
O descanso do guerreiro
Terminou assim o 4º e último dia desta fantástica aventura que espero poder
repetir por muitos e muitos anos, desde que haja saúde e condições para tal.
Para terminar, algumas considerações/constatações:
Neste último dia, foram percorridos 2,4km de manhã e 1,5km de tarde
(aproximadamente, claro) dando um
total de 3,9km sempre a dar à perna!
Antes destes 4 dias, nunca tinha feito uma captura com jig, foi uma estreia
e penso que aprendi um bocadinho mais com esta experiência;
A pescar de pato perdi muito menos material que a pescar da margem, o facto
de poder colocar-me por cima do sítio da prisão e tentar "contornar" ajuda
bastante;
Em dias de vento o pato torna-se bastante complicado de controlar, mas
depois de aprender a controlar e "dominar" o posicionamento, pode-se usar o
vento a favor em alguns casos;
Espero que tenham gostado, tal como referi no início deixo-vos aqui o video
resumo dos 4 dias!