segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Uns dias correm mal... Outros, correm bem!

Pois é, uns dias correm mal e mais vale nem sair de casa, mesmo que seja para pescar...
No sábado fui à pesca com o João para o nosso sitio do costume e calhou numa maré de lua nova e ainda por cima, baixa. Ora, como o mar estava a mexer bem mas afastado da areia, decidimos ir um pouco mar adentro. Lançamento atrás de lançamento, o peixe nem dava sinais de si.
A noite foi-se aproximando, cada vez mais escuro e começamos a nos deslocar pouco a pouco para o ponto de partida. Ora, é a partir daqui que as coisas começam a correr mal...

Recentemente, deitei a mão a 2 amostras que tenho fé de darem uns peixitos quando nada mais funcionar, falo das Hart Metal Vib de 28g. A encomenda para chegar foi um martírio (obrigado CTT pela vossa *cof cof* competência) mas lá acabou por chegar. Depois, foi preciso trocar os anzóis já que os originais são para rio e muito fracos. As argolas, têm que ser de um tamanho especifico, senão atrapalham. Com tudo isto, acabei por só conseguir preparar uma para usar.


Voltando à pesca, coloco o Metal Vib e faço um lançamento longo, o meu palpite de que seria um bom lançador estava certo. Recolho e sinto as vibrações na ponteira com uma grande nitidez, fantástico. Faço mais 2 lançamentos... E fica preso numa rocha. A amostra nova, 3 lançamentos, presa numa rocha. A maré estava a subir, num instante iria subir mais e mais. Se queria fazer algo para a tirar, tinha que ser imediato. Tentei dar puxões leves para soltar, usar a corrente do mar para puxar para fora, nada funcionava.
Tinha que me aproximar mas era noite cerrada e sem a luz da lua, nada feito... Tentei uma aproximação, sou arrastado por uma grande onda e não fosse o drag, teria ficado bem preso pela cana (ou pior). Decidi, não dá para arriscar mais, vou puxar e se sair saiu, senão já chega... Não saiu.

Voltei a montar o fluor, a pôr um clip novo, meto agora uma Storm Ultra Eel que o João me emprestou para experimentar. Lanço, fica preso e eu a deitar fumo. Consegue-se soltar, puxo o mais rápido que o carreto consegue dar e... Fica preso novamente, agora noutra pedra. Deito ainda mais fumo e lá se solta, retirei logo do clip e devolvi ao João, não era a minha noite.
Continuamos a pesca, sempre com a água pela cintura e nem me lembrei de um pormenor... O meu telemóvel estava numa bolsa "estanque" mas poderia apanhar água. Dito e feito, ao chegar ao carro tiro-o da bolsa e água dentro... Telemóvel, puff.

Outras coisas mais aconteceram nessa noite, mas nem vale a pena falar...


No entando, há dias que as coisas até correm bem.

O dia seguinte, foi dia de um encontro informal do PcA em Peniche e eu não era para ir, mas à última da hora lá me convenceram a participar também e até me conseguiram arranjar boleia! Hora marcada no local combinado, lá vamos nós para Peniche!

Chegados ao local, 2 dedos de conversa e decide-se ir para a zona da Consolação. O mar estava com bom aspecto mas com alguma corrente e sets de ondas um pouco instáveis, o que na zona pode fazer a diferença entre ter água perto dos pés e água ao nível das pernas com uma corrente desgraçada!

Mas isso não nos impediu de fazer uns lançamentos na mesma...
Lançamento...
Aqui o colega José Simões
Infelizmente (ou talvez não - por outros motivos) um colega deu uma queda numas rochas escorregadias e ficou hesitante em prosseguir, como é compreensível, pelo que optou-se em consenso de todos mudar para um sitio um pouco mais acessível. Material arrumado nos carros e lá vamos nós para um novo sitio!

Chegado ao local, começo a pescar com uma Westlab Macua 14 na cor B04 com uns anzóis que a fazia afundar um pouco. Trabalhei-a sempre com toques rápidos e seguidos de ponteira, para lhe dar um pouco de desnorteamento no trabalhar imitando um peixe ferido. Inicialmente, optei por pescar numa pedra mais avançada na água, mas rapidamente me desloquei mais para a direita. Mais meia dúzia de lançamentos e optei por ir um pouco mais para a direita, chamem-lhe um feeling se quiserem.
Permaneci por ali, a trabalhar a amostra, até que reparei em algo, as cores predominantes na zona eram o verde e o castanho, das algas e pedras. Ora, se eu fosse um peixinho ali, não iria querer ter cores berrantes, mas sim cores mais camufladas com o meio. Então, mudei de amostra e coloquei a MaxRap 17 Green Flake, mesmo a condizer...

Lanço, sempre a trabalhar a amostra com toques seguidos, para a obrigar a deambular pelas águas, quando num desses lançamentos...

A amostra cai na água, dou os toques habituais e sinto uma prisão. Mas no mesmo instante, sinto uma pancada na cana, outra pancada, a cana começa a dobrar e a tremer, o drag do carreto canta um pouco e eis que vejo algo que nunca esquecerei... Uma valente chapada na água dada pelo robalo com a cauda! Com calma, fecho mais um pouco o drag, tinha que controlar a situação e a zona era rochosa. Ainda a recuperar o peixe, começo a estudar o que havia de estruturas à minha volta. Uma rocha fora de água à esquerda, rochas submersas em frente, algumas rochas menos pontiagudas à direita e com água. Vai ter que ir para a direita!

O peixe puxa para a esquerda, eu não o deixo ir, vejo a onda a chegar "Vai ser agora!" e conforme a onda arrebenta e forma a corrente para o lado direito, eu conduzo-o para o sitio mais acessível e ponho o grip na boca. SUCESSO!
A trazer o peixe para zona segura
Satisfação e alegria!
Esta deve ser a primeira vez que tudo se concretiza da maneira ideal, com uma boa máquina fotográfica, alguém para tirar a foto e claro, um bom peixe!
Sem palavras...
Assim que tirei o peixe, o alerta já tinha sido dado e os restantes colegas vieram ver a captura, partilhando todos a mesma alegria da captura! 
"Agora a foto de grupo!"
 Como se tratava de um encontro do PcA, alguém se lembrou "Epa, temos que dar uso à fita-métrica do PcA" e então, deu-se uso à fita-métrica! Marcou 50cm, mais tarde pesou-se e acusou 1,380kg. Nada mau, neste momento, o meu segundo maior robalo (pouco a pouco...)
50cm, 1,380kg
Mas os acontecimentos não se ficaram por ai, algo mais estava destinado a acontecer nessa manhã! O José Simões, o mesmo da foto de cima, tratou de "enganar" um (mergulhão) corvo-marinho e apenas digo, foi uma carga de trabalhos e preciso 3 pessoas para conseguir tratar de tudo, desde a captura até a sua libertação... Foi engraçado, mas depois a coisa ficou séria e a piada acabou... Esperemos que recupere e fique bem!
Corvo Marinho"Toy" já na água
Posto este acontecimento, já era hora do almoço e tinhamos reservado um belo cozido à portuguesa no pinhal, nada melhor para relaxar depois de uma manhã de pesca, comidinha e ar puro! 
Antes da paparoca
O pessoal foi-se divertindo à conta do que aconteceu durante o dia, nada durante este domingo me chateava nem o facto de ter tido um final de dia nada bom no dia anterior. A pesca é isto, uns dias maus... Outros bons!
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Visitante inesperado

Tudo começou quando acordo no domingo de manhã com uma mensagem do João a desafiar para uma pescaria aos sargos à chumbadinha num sitio de "facil acesso". O meu problema no meio de isto tudo, era apenas o material, já que não costumo pescar à boia ou à chumbadinha, usando para o efeito a minha cana de buldo Caperlan Surf C 420 Light (cana com uma certa história).
Material preparado, hora acertada e vamos nós para o local do crime. O dia estava com um sol agradável, pena o vento que se sentia de frente...
Ainda faltava tanto...
A descida foi penosa, mas como a descer todos os santos ajudam...
Chegamos ao sitio, estava na hora de colocar a linha na água. Durante a descida, na brincadeira, eu dizia ao João que iria fazer uns lançamentos com a montagem que ainda tinha na cana. Como a cana de buldo anda sempre no carro, pronta para um qualquer impulso desvairado por pesca, ainda estava montada com uma chumbadinha e um pingalim, assim estava e assim foi!
Faço o primeiro lançamento, nada... O segundo, prendeu numa rocha - "Olha é agora que acaba a brincadeira..." pensei eu - Mas soltou-se!


Faço o terceiro lançamento e ao passar perto de uma zona rochosa... peixe! Senti o peixe preso, aviso o João (que ainda nem tinha montado a cana) e ele ri-se de mim, a dizer que assim não dá!
Do outro lado vinha algo que nunca tinha apanhado com artificiais, um Ruivo!
Pouco colaborante para a foto...
Tentei tirar uma foto fora de água para ele exibir as suas cores, mas não estava muito colaborante... Então libertei-o do pingalim e coloquei numa poça de água que tinha por perto e as imagens seguintes falam por si!


Agora colaborante para foto!


Belas cores....!
A pescaria começava bem, com este visitante inesperado e nada comum! Depois da sessão fotográfica, pego na cana novamente, faço mais alguns lançamentos e agora a passar perto de outra rocha...Záááásss! Outro peixe! "Já está mais um" - berro eu para o João, que fica incrédulo pela maneira como eu os estava a tirar e apenas respondeu "F%£#@-$&, outro?!?"
Este dava mais luta, as opiniões iam desde um Bodião grande até um Sargo suicida, algo que ficou respondido ao ver o lombo aproximar-se da superfície...
Um belo e negro robalo fazia as delicias do dia! Tirado a peso, com cuidado para não esforçar o material, foi a segunda vitima num espaço de 5mins de pesca, ainda nem tinha o João amarrado o anzol!
Robalo negro
Depois de ouvir uns valentes "LEITEIRO" e "Não posso trazer este gajo a lado nenhum, que ele tira sempre peixe!!", foi a vez do João tirar o seu prémio do dia, um porta-chaves em forma de Sargo :)

A tarde continuou bem disposta, eu que já tinha feita a pescaria insisti na mesma técnica, o João continuou à procura dos Sargos e insistia no camarão. Com o final do dia, o vento tornou-se cada vez mais forte e optamos por mudar para um sitio mais abrigado, onde saíram umas bogas ao João para alegria dele (ou não ehehe).

Assim foi uma tarde bem passada (tirando a parte da subida dolorosa) com bastante gargalhadas e uma "invenção" que deu frutos!

Ficha Técnica
Cana: Caperlan Surf C 420 Light
Carreto: Okuma AV-45a
Linha: Multifilamento 15lb Made in China
Estralho: Monofilamento 0,40 Made in China
Amostra: Pingalim Cormoura Smoked Glitter
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sábado, 25 de agosto de 2012

Manutenção: Okuma Trio 40s


A manutenção do carreto é uma parte fundamental, pelo menos uma vez por ano, não vá o destino nos obrigar um dia a contar a história sobre "aquele que fugiu"...

Uns tempos atrás achei que estava na altura de dar uma manutenção ao meu carreto e procurei alguma informação sobre a manutenção do Okuma Trio 40s. Não encontrei grande coisa mas acabei por encontrar um guia muito bom mas para a versão anterior, o Okuma Trio 40. Achei o manual tão interessante e com imagens tão claras, que perguntei ao autor se poderia usar as fotos, traduzir partes e publicar, algo que não se recusou de modo nenhum!

Quem conhece os dois carretos sabe que são praticamente idênticos, mudando apenas algumas características técnicas (velocidade, peso, manivela...) e por isso este manual pode ser aplicado aos dois modelos.


1ª Parte - Desmontagem

A manutenção neste caso em concreto não vai incluir a bobine, embraiagem e a asa do carreto(rodízio), mas estas partes deverão também ter a sua devida atenção.

Antes de começar, deve-se primeiro ter o material necessário. Papel de cozinha absorvente, óleo para o carreto, massa e ferramentas.  As ferramentas necessárias são uma chave Philips (cruz) pequena, um alicate e uma chave Torx (estrela) pequena, tudo ferramentas fáceis de arranjar numa loja do chinês.



Começa-se então a desmontar o carreto, primeiro retira-se a tampa da embraiagem e a bobine do fino.



De seguida retira-se os washers, convém decorar e guardar estas peças na sequência certa num papel para depois montar na ordem certa.


Retirar o parafuso indicado.



Desapertar a porca do veio que se vê na imagem seguinte.



Retirar o rotor. 




Retirar a manivela. 



Retirar os 3 parafusos que seguram os rolamentos. 



Retirar a anilha e a placa metálica. 



Retirar com cuidado a mola, para não voar.




Retirar os 4 parafusos laterais, sendo 1 em cruz e os restantes 3 em estrela.




Retirar a engrenagem e o rolamento.





Aqui temos o pormenor de um furinho/ponto na transmissão que será de bastante utilidade depois na montagem, para alinhar as peças. 



Retirar a placa de oscilação.




Retirar o rolamento, a cremalheira e o veio central.







Retirar a engrenagem de transmissão.




Retirar o compartimento dos rolamentos. 




Retirar os rolamentos com cuidado porque o compartimento que segura os rolamentos pode sair e os rolamentos soltarem-se. 



Nesta altura devemos ter um cenário semelhante ao da imagem seguinte. Lembrem-se sempre de manter as peças alinhadas/arrumadas por ordem lógica de montagem, tornará a tarefa bem mais fácil e evita surpresas.



Aplicar algum óleo nos rolamentos, pode-se usar uma tampa de plástico para evitar desperdícios!



Tudo separado e pronto para ser limpo. 




A secagem, não convém ter excessos. 



Tudo junto novamente (esta parte é complicada e requer alguma paciência).



Agora com o compartimento.



Agora é a vez da engrenagem, retirar a peça de apoio da manivela, rolamento e anilha. 





Lubrificação dos rolamentos. 



E a secagem das peças.



Agora a cremalheira e respectivo rolamento.




Depois de lubrificado, secar e montar novamente. A engrenagem anterior também já deve estar montada.



Limpeza do corpo do carreto, note-se alguma ferrugem lá dentro. 




2ª Parte - Montagem

Começa-se com a engrenagem de transmissão.

Para alinhar as peças, usa-se como guia um ponto/furo (poderá estar pintado de vermelho ou não).




Coloca-se o veio e alinha-se com a alavanca da engrenagem.




Coloca-se novamente a placa de oscilação. 



Coloca-se agora a engrenagem do veio. 



Depois coloca-se o compartimento com os rolamentos e o rolamento.




Coloca-se a placa metálica e os 3 parafusos respectivos.



Coloca-se a mola no sitio. 




3ª Parte - Aplicação da massa 

Deve-se aplicar massa onde o ponteiro indica nas imagens seguintes.


Aplicar um pouco de óleo no rolamento, mas não muito! 



 Colocar a tampa do carreto e aparafusar os 4 parafusos no sitio correcto.



Colocar a anilha do veio. 



De seguida o rotor. 



Colocar a porca do veio no sitio.



Apertar o parafuso, a porta deve estar com a parte direita alinhada com o parafuso para ser possível apertar.



Colocar as anilhas no sitio. 



Colocar a bobine no sitio e está pronto para mais uma época! 



Notas finais: 
- Os óleos e massas lubrificantes não são todas iguais, assim como não são todas adequadas para carretos. Existem até óleos que são corrosivos a certas partes do carreto por serem abrasivas aos plásticos!
- Este procedimento deve ser feito num sitio plano e sem confusão. Uma criança por perto ou um cão energético podem colocar peças pequenas a voar para nunca mais serem vistas e o carreto fica inutilizado!
- Se não conseguem ou não têm grande jeito para este tipo de operações, não arrisquem! É preferivel deixar nas mãos de quem sabe o que faz e como se faz.
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